Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 02/11/2023

Na obra “1984, o autor George Owell relata uma cena em que pessoas param diante das telas para hostilizar vítimas, no chamado “dois minutos de ódio”. Com isso, ao se fitar a atual realidade brasileira, percebe-se um cenário semelhante ao retratado no livro, uma vez que a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais tornaram-se recorrente na sociedade. Sendo assim, tem-se a negligência estatal e a insensibilidade social como agravantes dessa problemática.

Sob esse viés, vale ressaltar a inaplicabilidade das leis existentes no âmbito virtual. Dessa forma, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, há no corpo social as chamadas “Instituições Zumbis", que apesar de existirem, não exercem as suas respectivas funções. Frente a esse panorama, nota-se que a frágil atuação estatal é a representação prática dessa ideologia, já que são escassas as ações de fiscalização do cumprimento das leis e de punição dos praticantes da intolerância nas redes sociais. Com isso, a impunidade dessas atitudes hostis favorece a continuidade do desrespeito e do descumprimento dos direitos.

Ademais, outro vetor recai sobre a ausência de empatia entre as pessoas na atualidade. Desse modo, conforme a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria “Banalidade do Mal”, a maldade está tão presente na sociedade que já é considerada como algo normal e as pessoas não veem a necessidade de realizar ações para mudar. Nesse contexto, observa-se a normatização dos ataques nas redes sociais, visto que não há ações de combate e enfrentamento aos discursos de ódio por parte da população, pois o individualismo faz com que não haja o sentimento de compaixão pelo dilema do outro.

Portanto, sendo a intolerância nas redes sociais uma preocupação à sociedade, motivada pela ineficácia estatal e pela indiferença da comunidade, urge que o Ministério da Justiça, órgão responsável por garantir a prática da justiça no país, trabalhe para assegurar a aplicabilidade das leis existentes que abrangem essa violência do âmbito virtual, por meio de investimento em programas eficazes de identificação dos agressores e da punição desses, a fim de que a internet se torne um ambiente mais seguro e sadio. Com essa ação, os brasileiros poderão interromper os “dois minutos de ódio” de Owell.