Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 27/09/2019

No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que jogos eletrônicos não afetam drasticamente a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse raciocínio, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.

A violência abordada por alguns jogos pode servir de gatilho para algumas pessoas. Pode provocar o sedentarismo e problemas de saúde aos praticantes. Apesar dos aspectos negativos, alguns desses entretenimentos têm benefícios. Esses entendimentos sobre o impactos dessa forma de recreio, mesmo que simplistas, tendem a ressaltar fatores como a pesquisa da Universidade do Estado de Iowa, que indica que alguns jogos têm influência psicológica sobre os jogadores. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar os pontos positivos dessa questão, como o desenvolvimento de concentração e outras habilidades por alguns jogos educativos.

Por conta disso, no debate acerca de videogames, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que o sedentarismo causado por esse divertimento pode causar obesidade e outras doenças crônicas. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.

Sem dúvidas, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra os efeitos negativos dos jogos eletrônicos está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria dos Ministérios da Educação e da Saúde com mídias sociais, garanta a informação sobre os riscos dessa prática  e pesquisas da área psicológica acerca do tema em instituições de ensino e redes informativas, o que  estimula o desenvolvimento de criticidade, desde a base até o ápice etário, para inverter o paradigma atual. Afinal, parafraseando o filósofo grego Heráclito, a mudança deve ser o princípio fundamental de tudo.