Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 25/05/2020

Policarpo Quaresma, o patriota de Lima Barreto, em seu “Triste fim”, por ser perdidamente apaixonado pela pátria, enxergava o território brasileiro como o melhor lugar para se viver. Entretanto, hodiernamente, se observa a deficiência das medidas na luta contra o consumo desmedido de jogos eletrônicos por jovens, devido não apenas à deturpada mentalidade social, mas também a educação pública deficitária. Com efeito, é válido discutir sobre os efeitos que os jogos eletrônicos podem causar nos jovens.

A princípio, vale ressaltar o conceito da “banalidade do mal”, proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt, referente à tolerância, banalização e normalização daquilo que é assumidamente antiético na sociedade. De fato, o consumo prolongado diariamente de jogos eletrônicos, por ser um caso habitual, repetitivo e implícito, produz um conformismo na mente de parcela considerável da população nacional, o qual não só aliena os cidadãos perante ao assunto, bem como oculta a real magnitude do problema. Nesse sentido, consoante a pós-doutora em Jogos eletrônicos Lynn Alves, os games atuam como meio de descarregar as angustias cotidianas Por conseguinte, esse escapismo possibilita a timidez, a introspecção e a agressividade dos jogadores, o que intensifica o isolamento social desse segmento populacional.

Além disso, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil é a nona economia mundial. Apesar do alto potencial econômico, o sistema educacional público ainda não se mostra totalmente eficaz e tem como reflexo a inconsciência de alunos sobre os malefícios dos “games” quando utilizados de forma massiva, visto que, na maioria das vezes, a falta de debate sobre o assunto dentro das instituições de ensino faz com que os jovens se mantenham com vieses estereotipados decorrentes do senso comum favoráveis a essa prática, ou ainda pior, inobservantes quanto a questão.

Urge, portanto, que medidas são necessárias para mitigar a problemática  Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC) ensinar os jovens, desde a primeira infância, a ponderar o uso da internet para o uso excessivo de atividades que não sejam produtivas, como os jogos eletrônicos, por meio da inserção de psicólogos e profissionais da área, para que se diminuam os casos de jovens viciados em jogos eletrônicos. Concomitantemente, é imprescindível que o Ministério da Saúde (MS), por meio das redes sociais, crie campanhas direcionadas aos “gamers”, abordando os malefícios do uso desmedido dos jogos eletrônicos para a saúde, com o fito de minimizar os problemas físicos e psicológicos decorrentes dessa prática.  Assim, poder-se-á criar um legado condizente ao ufanismo do Policarpo Quaresma.