Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 29/12/2020

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao uso exagerado de jogos eletrônicos entre jovens. Diante disso, apesar dos games estimularem o raciocínio lógico e a agilidade, eles podem causar problemas como obesidade, déficit de atenção, timidez e agressividade. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a falta de conhecimento e a lenta mudança na mentalidade social.

Em primeira análise, é preciso salientar que a falta de conhecimento é uma causa latente do problema. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se o público jovem não tem acesso às informações necessárias sobre como previnir o vício em games, sua visão será limitada. Desse modo, para que o uso excessivo de videogames seja combatido, é necessário que haja discussão nas escolas sobre as consequências físicas e psicológicas que podem atingir os viciados em jogos eletrônicos. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do uso exagerado de jogos eletrônicos entre jovens é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que há uma ideia equivocada, por parte dos pais, de que é normal e aceitável que crianças e adolescentes joguem com frequência e com intensidade. Dessa maneira, nota-se que muitos jovens usam de forma compulsiva os videogames podendo comprometer atividades básicas do cotidiano, como higiene pessoal, alimentação, estudos e vida social, o que torna sua resolução ainda mais complexa.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre os riscos do vício em games, bem como incentivem a prática de outras atividades de lazer no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área da saúde. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.