Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 15/08/2025

No livro “Superficiais: o que a internet está fazendo com nossos cérebros”, Nicholas Carr demonstra como o uso intenso das tecnologias digitais modifica padrões de atenção e influencia a cognição humana. Essa análise é pertinente ao debate sobre os jogos eletrônicos, que, ao ocuparem grande parte do tempo livre dos jovens, podem gerar tanto benefícios quanto prejuízos. Se, de um lado, favorecem a criatividade e a socialização em ambientes virtuais, de outro, podem estimular comportamentos nocivos ligados ao sedentarismo e à dependência.

No aspecto positivo, os jogos digitais podem contribuir para a formação de habilidades cognitivas relevantes no século XXI. Jogos de estratégia e cooperação, por exemplo, exigem raciocínio rápido, resolução de problemas e interação em grupo, ampliando a atenção e a memória operacional. Essa característica transforma os jogos em ferramentas de aprendizagem e socialização, quando utilizados de forma equilibrada, indo além da simples noção de entretenimento.

Entretanto, sob uma ótica crítica, é necessário considerar os riscos do uso desmedido. De acordo com Guy Debord, em “A sociedade do espetáculo”, a cultura midiática pode aprisionar os indivíduos em realidades artificiais, afastando-os da vida concreta. Nesse sentido, os jogos, quando vivenciados de forma exagerada, favorecem o sedentarismo e podem contribuir para quadros de ansiedade e dependência, reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde. Assim, os impactos negativos revelam a urgência de medidas reguladoras e educativas.

Diante disso, faz-se necessária uma ação conjunta para equilibrar os efeitos dos jogos eletrônicos. O Ministério da Educação, em parceria com escolas, deve promover palestras e oficinas que conscientizem alunos e famílias sobre o uso saudável das tecnologias. O Ministério da Saúde precisa investir em programas de apoio psicológico e incentivo a atividades físicas para jovens que fazem o uso de jogos eletrônicos. Além disso, empresas de jogos devem implementar alertas sobre tempo de tela e pausas obrigatórias, estimulando o bem-estar digital. Dessa forma, será possível valorizar os benefícios dos jogos e reduzir seus efeitos nocivos, garantindo uma formação juvenil mais saudável, assim evitando as alterações comportamentais nocivas propostas por Nicholas Carr.