Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 15/08/2025

Segundo pesquisa da Organização Mundial da Saúde, o uso excessivo de jogos eletrônicos pode estar associado a impactos negativos na saúde física e mental, especialmente entre adolescentes. No cenário brasileiro, esse fenômeno representa um desafio relevante, visto que a popularidade das plataformas digitais cresce em ritmo acelerado entre os jovens, sem que haja, em muitos casos, supervisão ou orientação adequadas. Esses riscos estão relacionados tanto ao isolamento social quanto à exposição a conteúdos nocivos, demandando atenção de famílias, escolas e órgãos públicos.

Sob esse viés, é possível identificar o isolamento social como um problema central. A imersão prolongada no universo virtual pode reduzir as interações presenciais e prejudicar o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia e comunicação. Segundo Émile Durkheim, a coesão social depende de vínculos reais e constantes; logo, quando jovens substituem interações físicas por relações exclusivamente digitais, corre-se o risco de enfraquecer laços comunitários e gerar quadros de solidão e afastamento. Tal cenário se agrava à medida que a rotina de lazer se concentra quase exclusivamente nas telas.

Outro fator preocupante é a vulnerabilidade a conteúdos nocivos e desafios perigosos. Um exemplo emblemático foi o “jogo da baleia azul”, que, em 2017, incentivava práticas autodestrutivas e resultou em investigações envolvendo cerca de 400 jovens, segundo a Polícia Civil de Mato Grosso. Essa realidade evidencia que, sem mecanismos de filtragem e monitoramento adequados, os jogos podem expor usuários a riscos graves à integridade física e mental. A falta de supervisão familiar e de políticas de segurança digital amplifica essa ameaça.

Portanto, para que os jogos eletrônicos se consolidem como instrumentos saudáveis de lazer e aprendizado, é fundamental que o Estado implemente políticas de educação digital nas escolas, oferecendo orientações sobre uso equilibrado e seguro. Além disso, cabe à indústria de jogos aprimorar seus sistemas de moderação e criar ferramentas de proteção infantil. Por fim, as famílias devem estabelecer limites de tempo e dialogar sobre os conteúdos consumidos.