Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 13/08/2025

Na obra “Divertir-se até morrer”, o teórico Neil Postman argumenta que as formas de entretenimento moldam a maneira como as sociedades pensam e se relacionam. No contexto contemporâneo, essa reflexão torna-se pertinente ao analisar os jogos eletrônicos, fenômeno cultural que, embora proporcione lazer, também pode provocar impactos significativos na vida dos jovens. Nesse sentido, é possível apontar a influência sobre a saúde mental e a alteração nos padrões de socialização como efeitos centrais dessa prática.

Em primeiro lugar, observa-se que o uso excessivo de jogos eletrônicos pode afetar a saúde mental dos adolescentes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o “transtorno por uso de jogos eletrônicos” é caracterizado pela perda de controle sobre o tempo de jogo e pela prioridade dada a essa atividade em detrimento de outras responsabilidades. Assim, jovens que passam horas diárias imersos em ambientes virtuais podem apresentar sintomas de ansiedade, depressão e déficit de atenção, prejudicando seu desempenho escolar e suas relações familiares. Tal situação evidencia a necessidade de equilíbrio no uso dessa forma de entretenimento.

Além disso, o consumo frequente de jogos digitais pode modificar a maneira como os jovens se socializam. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é marcada por vínculos frágeis e interações efêmeras, realidade intensificada pelo contato predominante em ambientes virtuais. No caso dos jogos on-line, as relações construídas, embora numerosas, tendem a carecer de profundidade e continuidade no mundo real. Isso pode dificultar o desenvolvimento de habilidades socioemocionais essenciais, como empatia e comunicação presencial, ampliando a distância entre os indivíduos e a convivência comunitária.

Portanto, é imprescindível adotar medidas para mitigar os efeitos negativos dos jogos eletrônicos nos jovens. Cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas, promover oficinas com psicólogos e pedagogos sobre uso equilibrado da tecnologia, enquanto as famílias devem estabelecer limites de tempo e incentivar atividades presenciais.