Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 12/08/2025

Os jogos, em sua promessa de conectar o mundo, paradoxalmente, tem se mostrado um terreno fértil para o distanciamento e a violência. A teoria da “sociedade líquida”, de Zygmunt Bauman, é um espelho para essa realidade, onde as relações se tornam fluídas, efêmeras e desprovidas de laços sólidos. Nesse cenário virtual, o anonimato e a rapidez da comunicação se combinam para criar um ambiente onde crimes de ódio e cyberbullying se manifesta com facilidade, refletindo a fragilidade e a irresponsabilidade que marcam as interações no meio juvenil contemporâneo.

O livro “Veneno Digital”, de Walcyr Carrasco, aprofunda essa análise ao expor como a ausência de consequências imediatas e a facilidade de criação de perfis falsos transformam o ambiente online em um campo de batalha. O cyberbullying, por exemplo, ultrapassa as barreiras do espaço físico, perseguindo a vítima em todos os seus ambientes digitais e causando danos psicológicos irreversíveis. A violência virtual, nesse sentido, não é um problema isolado, mas uma extensão das intolerâncias sociais que se manifestam de forma amplificada na rede, onde a falta de contato visual e da empatia potencializa a agressividade.

Além disso, a negligência das plataformas digitais nesse processo é um fator crucial. A omissão na moderação de conteúdo e a lentidão na aplicação de sanções transformam esses espaços em locais sem lei, onde a impunidade é a regra. É nesse contexto de fluidez e ausência de responsabilidade que a violência digital ganha força, tornando os jogos eletrônicos, que deveria ser uma ferramenta de entretenimento, em um espaço hostil e perigoso.

Portanto, para enfrentar esse problema, é essencial uma ação conjunta. Primeiramente, o Estado deve atualizar as leis para punir os agressores virtuais com rigor. Ao mesmo tempo, as escolas precisam investir em educação digital para formar cidadãos mais conscientes e empáticos. Por fim, as plataformas de tecnologia devem assumir sua responsabilidade, criando mecanismos de controle mais eficazes e transparentes. Somente assim os jogos eletrônicos poderão se tornar um espaço de respeito e convivência, em vez de refletir o lado mais sombrio da sociedade.