Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 15/08/2025

“Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, retrata a invisibilidade social diante de certos problemas coletivos. Na realidade brasileira, tal crítica pode ser observada na relação dos jovens com os jogos eletrônicos, que, embora ofereçam benefícios como estímulo à criatividade e ao raciocínio lógico, podem ocasionar prejuízos quando usados de forma descontrolada. Com isso, emerge um problema sério, em virtude da influência sobre o desenvolvimento socioemocional e da possibilidade de dependência tecnológica.

Nesse cenário, ressalta-se, de início, que a interferência no desenvolvimento socioemocional é um fator do problema. O filósofo Aristóteles afirma que o ser humano é um “animal político” e necessita do convívio para alcançar a plenitude de sua natureza. Contudo, ao substituir interações presenciais por vínculos restritos ao ambiente virtual, os jovens podem apresentar dificuldades de comunicação, redução da empatia e isolamento social, prejudicando habilidades essenciais para a vida adulta.

Além disso, outro fator influenciador é a dependência tecnológica. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o uso excessivo de jogos pode configurar transtorno de comportamento, marcado pela perda de controle e pelo comprometimento das atividades diárias. Nesse contexto, adolescentes acabam negligenciando estudos, sono e relações familiares, criando um ciclo nocivo que limita experiências reais e reforça comportamentos compulsivos.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, o Ministério da Educação deve criar programas de educação midiática voltados ao uso equilibrado de jogos eletrônicos, por meio de palestras escolares, atividades lúdicas e campanhas nas redes sociais, a fim de conscientizar jovens e responsáveis sobre práticas saudáveis de lazer. Paralelamente, é necessário fomentar o acesso a esportes e atividades culturais que promovam a socialização presencial. Dessa maneira, será possível romper a cegueira social a que Saramago se refere.