Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 12/08/2025

Na série distópica Black Mirror, episódios como “Playtest” exploram os impactos psicológicos de tecnologias imersivas, como os jogos eletrônicos, ao mostrar como a linha entre o real e o virtual pode se tornar perigosamente tênue. Embora esse retrato seja exagerado, ele lança luz sobre uma questão relevante na sociedade contemporânea: os efeitos dos jogos eletrônicos nos jovens. Enquanto parte da sociedade associa os games à alienação e à agressividade, outros os veem como instrumentos de desenvolvimento cognitivo e social. Assim, é necessário discutir os potenciais benefícios e prejuízos que os jogos podem trazer, sobretudo quando consumidos de forma excessiva ou desregulada.

Em primeiro lugar, é inegável que os jogos eletrônicos, quando utilizados com equilíbrio, podem estimular diversas habilidades. Pesquisas na área da neurociência apontam que games de estratégia e ação aumentam a capacidade de resolução de problemas, raciocínio lógico e coordenação motora. Além disso, títulos que envolvem cooperação online incentivam a socialização, a comunicação e até o aprendizado de idiomas, principalmente o inglês. Plataformas como Minecraft e League of Legends são exemplos de jogos que, além do entretenimento, possibilitam o trabalho em equipe e o desenvolvimento de estratégias complexas.

Por outro lado, o uso excessivo ou descontrolado de jogos eletrônicos pode acarretar consequências negativas, sobretudo na formação de jovens em fase de desenvolvimento. O filósofo alemão Theodor Adorno já alertava para os perigos da “indústria cultural” ao afirmar que produtos culturais podem ser usados como forma de alienação. Nesse sentido, jogos eletrônicos, quando consumidos de forma compulsiva, podem causar isolamento social, queda no rendimento escolar, distúrbios do sono e até comportamentos agressivos, como apontam estudos da Organização Mundial da Saúde. A recente classificação do vício em jogos como transtorno mental pela OMS é um alerta importante nesse cenário.

Portanto, os jogos eletrônicos podem ser positivos ou negativos na vida dos jovens, dependendo do uso. Com orientação adequada da família, escola e Estado, é possível promover um uso consciente e transformá-los em ferramentas de desenvolvimento