Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?
Enviada em 15/08/2025
O filósofo Johan Huizinga, em Homo Ludens, afirma que o jogo é elemento central na formação cultural humana. No cenário atual, os jogos eletrônicos representam essa prática na era digital, influenciando a rotina de milhões de jovens. Segundo a Pesquisa Game Brasil (2024), 70,1% da população joga regularmente. Apesar de benefícios como raciocínio lógico e coordenação motora, o uso excessivo pode gerar sedentarismo, isolamento social e queda no desempenho escolar.
Pesquisadores como Pedro Calabrez destacam que games estratégicos desenvolvem atenção e memória. Porém, a exposição prolongada provoca distúrbios do sono, ansiedade e dependência. Jogos violentos ainda levantam debates sobre aumento de agressividade, sobretudo em adolescentes em formação moral. A falta de acompanhamento familiar e o fácil acesso a conteúdos impróprios ampliam riscos e tornam o problema um desafio de saúde pública.
No Brasil, a Classificação Indicativa tenta regular o acesso por faixa etária, mas carece de fiscalização e é pouco conhecida pelas famílias. Empresas, por sua vez, priorizam monetização por tempo de uso, sem campanhas consistentes de conscientização. Esse quadro exige integração entre políticas públicas e responsabilidade corporativa, para reduzir impactos negativos sem eliminar benefícios.
Portanto, o Ministério da Educação, com o Ministério da Saúde e empresas de tecnologia, deve promover programas escolares de educação digital, abordando riscos e vantagens dos jogos. Plataformas precisam reforçar controles parentais e oferecer limites automáticos de tempo. O SUS pode garantir apoio psicológico a casos de dependência. Assim, preserva-se o caráter educativo e recreativo dos games, assegurando que sejam aliados ao desenvolvimento saudável dos jovens.