Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 14/08/2025

Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar o crescente consumo de jogos eletrônicos por jovens, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que a dependência digital e a exposição a conteúdos inadequados ainda são fatores que potencializam impactos negativos nessa faixa etária e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente saudável de desenvolvimento. Inicialmente, é notório que a dependência digital está relacionada a um problema estrutural. Nesse sentido, o excesso de tempo gasto em frente às telas compromete o equilíbrio entre lazer e responsabilidades, prejudicando hábitos de estudo e convívio social. Tal conjuntura, de acordo com Kant, é análoga à “menoridade intelectual”, na qual caracteriza-se a falta de autonomia dos indivíduos sobre seus intelectos. Nesse raciocínio, ao observar o uso excessivo de jogos, percebe-se que o jovem, incapaz de gerenciar seu tempo de forma crítica, torna-se refém dessa “menoridade”, prejudicando seu desenvolvimento integral e, consequentemente, banalizando a necessidade de moderação. Ademais, nota-se a exposição a conteúdos violentos ou prejudiciais como um fator que dificulta a resolução do entrave. Conforme Zygmunt Bauman, em sua teoria “Instituições Zumbis”, as instituições sociais, como o Estado e a família, dissolveram suas funções de controle e regimento da ordem, sendo “zumbis” pelo fato de se manterem presentes, mas sem eficácia de intervenção. É por essa razão que a influência de jogos com temáticas agressivas ainda é evidente, contribuindo para a naturalização da violência e para a formação de comportamentos inadequados. Portanto, é crucial reverter o quadro atual. Para que os jogos eletrônicos sejam usados de forma saudável, o Ministério da Educação, junto a escolas e famílias, deve promover campanhas de conscientização com palestras e orientações sobre benefícios, riscos e alternativas de lazer offline. Assim, os jovens desenvolverão senso crítico e poderão concretizar os ideais aristotélicos.