Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?

Enviada em 14/08/2025

A consolidação da cultura digital nas últimas décadas transformou profundamente o cotidiano das novas gerações. Entre os inúmeros recursos tecnológicos, os jogos eletrônicos destacam-se como prática de lazer dominante, especialmente entre jovens, e suscitam discussões sobre seus efeitos. Nesse sentido, é pertinente compreender que tal fenômeno apresenta tanto riscos quanto potencialidades, cujo alcance depende da forma, do conteúdo e da intensidade de uso.

Sob uma perspectiva crítica, o uso excessivo pode acarretar prejuízos significativos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu, em 2019, o “transtorno de dependência de jogos”, caracterizado pela perda de controle e pela substituição de vivências essenciais, como estudo, convivência social e prática de exercícios físicos. Outrossim, a exposição prolongada às telas contribui para o sedentarismo e pode intensificar problemas como ansiedade, isolamento social e distúrbios do sono, comprometendo, assim, o bem-estar físico e emocional.

Contudo, seria reducionista enxergar essa prática apenas sob uma ótica negativa. Pesquisas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) apontam que determinados gêneros de jogos promovem raciocínio lógico, resolução de problemas e criatividade. Acrescenta-se que dinâmicas cooperativas no ambiente virtual incentivam habilidades como liderança, comunicação e trabalho em equipe — atributos valorizados no mercado contemporâneo. Narrativas interativas, por sua vez, podem favorecer o aprendizado de idiomas e estimular a empatia, aproximando-se da noção aristotélica de “mimesis”, segundo a qual a arte (e, por extensão, experiências simbólicas) contribui para o desenvolvimento humano.

Diante desse cenário, é imprescindível que família, escola e sociedade atuem de forma integrada na mediação dessa relação, estabelecendo limites claros e incentivando a diversidade de atividades. Ao equilibrar o universo digital com práticas físicas, culturais e sociais, é possível ressignificar os jogos eletrônicos como ferramentas de formação intelectual e socioemocional, garantindo que seu impacto seja não apenas recreativo, mas também educativo e construtivo.