Jogos eletrônicos: quais efeitos eles podem causar nos jovens?
Enviada em 14/08/2025
O “Massacre de Suzano”, ocorrido em 2019 em uma escola estadual da Grande São Paulo, é considerado até hoje uma das tragédias mais chocantes do país, sendo protagonizado por ex-alunos vítimas de bullying que mataram oito pessoas. Após o crime, o adolescente assassinou o cúmplice e se suicidou. Desde então, a preocupação sobre os efeitos dos jogos eletrônicos só vem aumentando, já que os autores do crime teriam se inspirado em videogames violentos para planejar a execução. Analisando esse fato, percebe-se que o uso excessivo das telas de computador é um impulsionador de comportamentos agressivos e depressivos, além de se tornar um entrave para o desenvolvimento de habilidades sociais.
Sob essa ótica, os videogames podem deixar de ser diversão e oportunidade de aprendizado para se transformar em ameaça à saúde mental de crianças e adolescentes, conforme a Organização Mundial da Saúde já admitiu, ao reconhecer o “distúrbio dos jogos eletrônicos” como uma doença. Por isso, urge buscar um equilíbrio em seu uso a fim de mitigar efeitos nocivos, como ansiedade, irritabilidade, melancolia e não adequação ao mundo real.
Nesse contexto, outro agravante de permanecer longas horas jogando é a substituição das interações sociais por virtuais, prejudicando a capacidade do indivíduo de se relacionar com outras pessoas ou com situações reais. Como ressalta o autor do livro ‘‘Geração do quarto", o psicólogo Hugo Monteiro Ferreira, esses jovens têm limitação para lidar com relacionamentos, frustração e exposição.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas que permitam atenuar os impactos negativos da utilização abusiva dos jogos virtuais. Assim, o Estado deve fiscalizar práticas das indústrias de “games” que incentivam o vício e a violência, para evitar um aumento na compulsão por jogos. Por sua vez, os pais devem monitorar o tempo e os tipos de jogos, oferecer atividades fora de casa, como esportes, passeios, encontros familiares e com amigos, para impedir quadros depressivos e de ansiedade. Também é imprescindível que a escola auxílie na educação midiática, ensinando limites e uso crítico das tecnologias, além de estimular a interação social dos estudantes. Dessa forma, será possível garantir um futuro promissor diante dos desafios dos “games”.