Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação?
Enviada em 09/12/2025
A aprovação da Lei Menino Bernardo, conhecida como “Lei da Palmada”, reacendeu o debate sobre os limites da disciplina parental no Brasil. Enquanto parte da população considera a medida uma intervenção estatal na criação dos filhos, outra parcela a reconhece como avanço civilizatório na defesa dos direitos da criança. A discussão se intensifica quando se observa que o país possui um histórico de naturalização da violência doméstica, como apontam dados do Ministério dos Direitos Humanos.
Em primeiro lugar, a lei representa um avanço ao combater práticas educativas violentas. Pesquisas da ONU afirmam que punições físicas aumentam a probabilidade de traumas emocionais, baixa autoestima e reprodução da violência na vida adulta. A psicóloga Alice Miller, em sua obra Por Seu Próprio Bem, defende que a violência praticada “em nome da educação” perpetua ciclos de sofrimento. Assim, ao proibir castigos físicos e humilhantes, o Estado busca proteger o desenvolvimento integral das crianças, garantindo um ambiente seguro e emocionalmente saudável.
Por outro lado, a resistência à lei está associada a fatores culturais. Muitos responsáveis acreditam que a forma como foram educados deve ser mantida, reforçando a ideia de autoridade parental absoluta. Contudo, como explica Pierre Bourdieu, práticas sociais são reproduzidas sem reflexão crítica quando naturalizadas ao longo das gerações. Nesse sentido, falta à sociedade brasileira acesso a orientações sobre educação positiva, apoio psicológico e políticas públicas que auxiliem famílias na construção de vínculos saudáveis sem recorrer à violência.
Portanto, mais do que intervenção, a Lei da Palmada representa um marco na proteção dos direitos da infância. Para que ela seja efetiva, é necessário investir em campanhas educativas, fortalecer serviços de assistência social e oferecer suporte às famílias. Dessa forma, o Brasil poderá promover uma cultura de cuidado e diálogo, substituindo práticas violentas por métodos educativos mais éticos e respeitosos.