Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação?

Enviada em 09/07/2021

Mãe gentil

A Constituição brasileira de 1988, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida em 1948, assegura a todos o direito a uma vida livre de violência. À luz dessa assertiva, reconhecer a Lei da Palmada como agente promotor do avanço social torna-se de grande relevância na formação dos jovens do amanhã. Entretanto, para tal, faz-se preciso a ajuda do Estado no serviço de conduzir a sociedade ao reconhecimento dessa máxima.

Diante desse cenário, a revista Science publicou, em 2019, um artigo que comprova as implicações oriundas de uma criação pautada em “tapinhas” e palmadas. Segundo esse estudo, a infância de um jovem que foi submetido a essas agressões, em muitos casos, fica comprometida, refém de traumas e coações. Em decorrência disso, problemas na vida adulta como, tendência a agressividade, revolta ou insegurança, tornam-se comuns. Logo, romper com esse ciclo infantojuvenil vicioso, por meio do compreendimeto social, cultural e político da Lei da Palmada como agente do progresso, será o caminho que permitirá abrir horizontes para uma nova realidade mundial, a qual comportará em seu seio uma criação e uma educação alicerçadas no diálogo.

Em contrapartida, tornar essa assertiva realidade não é uma tarefa fácil para a nação verde e amarela, visto que, parcela significativa do seu povo é refém da falta de informação, afirma a embaixadora da Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa forma, reverter essa situação é de extrema importância sociocultural para a sociedade, uma vez que, “as crianças de hoje serão o futuro do amanhã” e, para que esse futuro seja promotor, precisa ser insento de violência, fato que cabe ao Estado ajudar a assegurar. Nesse sentido, criar pontes que liguem o povo ao conhecimento dessa causa, torna-se de suma importância para que as presentes e futuras gerações sejam desprendidas dos “tapinhas”, das “palmadinhas” e de quaisquer outras formas de agressões como método educacional.

Destarte, parafraseando, a ONU, a união entre a sociedade e o seu Estado, é que será o vínculo responsável por criar uma realidade mundial livre de abusos físicos. Para isso, é preciso a ação conjunta desses agentes da mudança no combate a desinformação vigênte no palco social brasileiro. Nesse sentido, cabe ao Poder Legislativo e ao Governo Federal, unidos aos veículos mediáticos, o ato de criar, efetivar e difundir medidas públicas que visem, por meio de debates televicionados, propagandas e forúns online, promover a face revolucionária da erradicação das palmadas, além da relevância sociocultural que há na execução da Lei da Palmada. Assim, a partir dessas ações integradas, ter-se-á um país excasso de violência familiar, capaz de ser mãe gentil para todos.