Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação?

Enviada em 25/07/2021

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demostrações conotações no que se refere à agressão infantil como processo educativo. Com isso, surge a questão da Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação? que persiste intrínseca à realidade brasileira, seja pela lenta mobilidade da mentalidade social, seja pelo entendimento errôneo dos progenitores / cuidadores em relação aos menores no seu encargo, visto que esses entendem o maltrato como uma situação de desproteção em decorrência deções distorções cognitivas e percepções inadequadas .

Deve-se pontuar, de início, que a estagnação do pensamento coletivo configura-se como um grave empecilho no que diz respeito ao tema. Conforme Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que uma problemática é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social opressor, a tendência é adotar esse comportamento também. Sem contar que essa ação causa sérios impactos às crianças, como sociais, psicoemocionais e compromete desenvolvimento físico e mental.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o problema cognitivo dos responsáveis ​​quando se trata da educação de seus filhos. Dado que a prática da agressão infantil como forma de disciplinamento existe desde os tempos remotos, esta atitude passou a ser normalizada em vários países. Tal fato pode ser comprovado através dos índices de violência contra menores de idade no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos , diariamente, são notificadas no Brasil uma média de 233 agressões de diferentes tipos (física, psicológica e tortura) contra crianças e adolescentes com idade até 19 anos.

Logo torna-se evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados.É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados ​​têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais sobre a responsabilidade e a importância que uma família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, a fim de quebrar paradigmas socialmente alimentados .