Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação?

Enviada em 25/07/2021

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à Lei da Palmada como forma de punição aos filhos. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da formação familiar e da lenta mudança na mentalidade social.

A príncipio, a educação parental caracteriza-se como um complexo dificultador. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática da correção agressiva (tanto física quanto psicológica) apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração. Ou seja, se os pais foram criados de uma forma mais rígida, a tendência é adotar esse comportamento com seus futuros filhos, e assim ficará mais complexa sua solução.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da lenta mudança na mentalidade social. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do tema é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social onde a violência física e verbal é considerada a forma correta para educar e corrigir um filho, elas estão mais propensas a disseminar essa correção em seu lar.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério Público. Essas ações devem promover um debate com os familiares, por meio de palestras ministradas por profissionais psicopedagogos, com o intuito de ensinar outros métodos de correção aos filhos como, por exemplo, o diálogo. Ademais, as prefeituras, em parceria com o governo do estado, devem proporcionar a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanais culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas entre a família, com fito de quebrar paradigmas socialmente alimentados. Dessa maneira, é possível que o problema da Lei da Palmada permaneça no passado brasileiro.