Lei da Palmada: Avanço social ou intervenção na criação?

Enviada em 27/03/2022

No drama coreano ‘‘True Beauty’’ a estudante do ensino médio, Soo-jin, sofre com o comportamento abusivo de seu pai, que a agride por não alcançar o primeiro lugar na classificação. De forma análoga à obra, na contemporaneidade, ainda há problemas como as exigências e a violência praticada pelos responsáveis contra os menores. No entanto, a lei da palmada veio para impedir essas ocorrências e, portanto, é essencial debater acerca desse avanço social.

Nesse prisma, a pressão psicológica pode ser considerada como um tipo de ataque, logo, as suas consequências são, muitas vezes, irreparáveis. Conforme o exímio sociólogo Pierre Bordieu, a agressão simbólica representa um ato violento sem coação física. Dessarte, a saúde mental é uma das principais afetadas por essa prática execrável. Em vista disso, os discursos desonrosos e opressivos são tão degradantes quanto socos e tapas. Desse modo, essa norma visa, principalmente, combater qualquer tratamento cruel, incluindo os abusos verbais. Assim, com a aplicação da diretriz, os jovens poderão desfrutar de um ambiente familiar pacífico.

Ademais, as crianças criadas sob a doutrina da bestialidade são persuadidas a repetirem o mesmo padrão comportamental no futuro. De acordo com o crítico Hippolyte Taine, o indivíduo é influenciado pelo meio em que ele está inserido. Destarte, essa faixa etária aprende com facilidade a copiar os adultos na sua maneira de agir e é nessa etapa que ocorre a formação do caráter. Por conseguinte, a lei de proteção à criança torna-se imprescindível nesses casos, pois influem diretamente na estruturação do cidadão. Com isso, é possível evitar episódios fatais como crimes, depressão e suicídio.

Em síntese, a emergência em pugnar os fatos supracitados requer medidas do Ministério da Mulher Família e Direitos Humanos (MMFDH), concomitantemente com o Ministério da Saúde, a fim de promover o bem-estar psicológico juvenil. Por consequência, urge criar propagandas para alertar os parentes acerca dos perigos gerados pelo uso de um vocabulário depreciativo e as cobranças exageradas, por intermédio das redes sociais, como o Instagram e o Facebook. Outrossim, o MMFDH deverá punir os agressores, mediante agentes que realizam visitas aos lares, com o intuito de proteger a criança e obstar a repetição da obra na vida real.