Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 08/09/2019
A sociedade contemporânea vem sofrendo mudanças cada vez mais radicais e abruptas com relação as normas culturais de imagem. Onde a necessidade de aprimorar a forma física na busca de alcançar padrões impostos historicamente e hoje acentuados pela mídia, torna as pessoas cada vez mais narcisista. Tal fato configura uma desordem na personalidade devido a uma busca desenfreada pela integração ao “grupo dos belos e felizes”. Prova disso é o excessivo culto à aparência ou corpolatria, caracterizada pela preocupação e cuidados extremos com o próprio corpo no sentido de embelezamento físico, que ainda é agravado pela glamorização desse estilo de vida pelos meios de comunicação e indústria da moda que faturam em cima da obsessão que gera esse comportamento moderno. Em primeiro plano, é importante destacar que os padrões de beleza, além de serem conquistas, foram moldados pela história. Os indivíduos que antes eram confrontadas com a moral das instituições: família, religião, casamento, conquistaram a liberdade de fazer com o corpo o que bem quiserem, porém, essa liberdade trouxe consequências: o preço da obrigação. O dever de ser belo e a compulsão de cuidar do corpo e aparência é amplamente propagado pela mídia, unificando o ideal de beleza característico da região, no caso do Brasil, o foco de beleza é um corpo jovem, saudável, sensual e muitas vezes desnudo. A publicidade e as redes sociais estimulam os humanos a autoestima na intenção de alimentar a busca cada vez maior por atenção que produz a ilusão de que se tem influência na sociedade, devido a glamourização da glória, sucesso e ascensão social relacionado as pessoas consideradas belas. Por conseguinte, presencia-se uma forte influência das indústrias da moda e cosmética que reproduzem o discurso da mídia na intenção de propagarem seus produtos e avanços tecnológicos de aprimorarão da estética e forma física. A procura pela satisfação da própria imagem refletida no espelho, gera uma excessiva busca inconveniente de aquisição de pílulas, sucos, comidas diet, academias objetivando alcançar a ide de sucesso incorporado padrão de belo. O filósofo espanhol José Ortega, define em sua obra” A rebelião das massas” que o cidadão de hoje não passa de alguém que sofre influências, que tem o comportamento determinado por algo externo a ele. Essa configuração reflete a base da sociedade com indústria sendo o mercado e a propaganda representada pela mídia, caracterizando o ciclo vicioso do consumo. Portanto, é mister que o Estado tome providencias para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, torna-se urgente que o ministério da educação e cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais e TV que destaquem a desconstrução dos padrões estéticos e apresentar a coexistência de diversas modelos de beleza física, de forma a pluralizar esse conceito e trazer representatividade à população. Nas escolas, deve-se dialogar com os jovens através de debates que incitem a reflexão dessa temática e aceitação com relação ao seu aspecto físico. Somente assim, será possível combater as influências externas da sociedade capitalista, possibilitando o senso crítico da sociedade quebrando com a lógica da propagação de ideias e culturas que destoam com os valores de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.