Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 19/03/2020
Em 2019, as atrizes Bruna Marquezine e Cleo pires foram duramente atacadas em suas redes sociais por estarem, de acordo com seus seguidores, magra e gorda demais, respectivamente. Nesse contexto, em um mundo fortemente influenciado pelo apelo visual, as mulheres são as maiores vítimas dos padrões de belezas impostos pela sociedade. Logo, cabe analisar as causas e as consequências de tal anômia social.
Em primeiro lugar, cabe destacar que os padrões de beleza impostos às mulheres decorrem de um contexto histórico de sexualização do corpo feminino. Assim, muito antes do surgimento da indústria cultural, a mulher já era exposta à padrões relacionados ao contexto histórico da época, com o objetivo, principalmente, de servir aos desejos masculinos. Exemplo disso, foi o uso de espartilho para afinar a cintura das mulheres idade Média. Consequentemente, com o surgimento da mídia, tal fenômeno consolidou-se como um fato social imposto pelo sociedade, por meio dos processos de socialização, como algo normal.
Por conseguinte, o advento das redes sociais e a “cultura das blogueiras”, celebridades sociais que cultivam e pregam um corpo magro, malhado e perfeito acentuou o culto à padronização da beleza. Dessa maneira, a busca pelo corpo magro aclamado pela mídia acaba por ser entendido como uma requisito para aceitação social. Logo, por ser um padrão inatingível, doenças como distúrbio de imagem e alimentares, além de doenças psicológicas como ansiedade e depressão são comuns entre a população feminina, principalmente entre adolescentes e jovens adultas.
Portanto, verifica-se a necessidade de romper-se com esse fato social anômico, conforme definiria o filósofo Émile Durkheim. Para isso, é necessário que estados e municípios ofereçam em sua grade curricular, nas aulas de sociologia, aulas sobre o surgimento e o funcionamento dos padrões sociais relacionados à beleza feminina com o intuito de gerar um senso críticos nos estudantes e, assim, estes possam questionar os padrões a eles impostos. Além disso, a mídia, de um modo geral, deve incentivar a participação em campanhas publicitarias de pessoas com corpos “normais”, com objetivo de gerar identificação e aceitação do público feminino em relação aos seus próprios corpos.