Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 23/05/2020

O conceito de beleza é algo bastante relativo, podendo variar de acordo com o período histórico, lugar ou até mesmo a opinião pessoal de cada indivíduo. Contudo, quando se está inserido em uma sociedade na qual há a construção constante de um modelo de aparência bela, é inevitável a criação de um padrão de beleza que é imposto, principalmente, para as mulheres desde a infância. Assim, a opressão do corpo feminino ocorre desde uma tenra idade e está enraizada na sociedade, acarretando situações como os problemas enfrentados diariamente pelas mulheres, tais quais a insegurança e baixa autoestima, devido a negação do próprio corpo, e os distúrbios alimentares.

Em primeira análise, as crianças têm desde cedo contato com o que é denominado “corpo ideal” no século XXI, sendo esse um físico forte e esbelto, pautado na magreza normalmente, e um dos primeiros convívios com esse padrão se apresenta em forma de bonecas que têm esse mesmo perfil. Logo, ao se deparar com apenas um tipo de aparência, as meninas que não se adequam nesse modelo encontram em suas aparências defeitos e se sentem à margem do que é considerado belo. Dessa maneira, ao crescer essa mentalidade, podem se tornar mulheres com baixa autoestima e inseguras, situação que possivelmente acarretará em problemas na vida profissional, visto que empregadores buscam um certo nível de confiança e liderança em seus empregados.

Em segunda análise, a mídia e as redes sociais são meios que reforçam o padrão de beleza estabelecido nas sociedades atuais, uma vez que divulgam, constantemente, por meio de programas de TV, revistas e propagandas, por exemplo, uma imagem do que é considerado um corpo belo. De forma que, a exposição frequente aos modelos de “corpo perfeito” assim como a constante pressão social para terem corpos semelhantes a esses, levam muitas mulheres a praticar métodos excessivos para perder peso e manter a forma, muitas vezes ultrapassando a barreira do que é seguro e saudável, podendo ocasionar o desenvolvimento de transtornos alimentares, como a bulimia e anorexia nervosa, os quais são extremamente fatais.

Por fim, percebe-se que a mentalidade opressora da sociedade assim como a pressão midiática reforça o sentimento de aprisionamento de seus próprios corpos que afeta diversas meninas e mulheres ao redor do mundo, até mesmo aquelas que são vistas como o padrão de beleza, como modelos e atrizes. Portanto, grandes emissoras de televisão, como a Rede Globo e Record, devem, juntamente com o poder público, produzir curtas-metragens -por meio, da utilização de recursos públicos e privados- com conteúdo educativo sobre a importância de aceitar o próprio corpo e os perigos dos transtornos alimentares, para serem distribuídos nas escolas e canais de televisão.