Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 11/06/2020

No movimento renascentista, com a retomada dos valores da antiguidade clássica, o culto à perfeição dos corpos sobressaltou-se, sobretudo nas pinturas, como na obra “O Nascimento de Vênus” de Botticelli, assim, gradativamente, ocorreu uma criação de um padrão de beleza, em que se valorizava um corpo forte e malhado -  típico dos homens gregos olímpicos. Atualmente, no Brasil, observa-se uma busca frequente de um modelo de beleza, muitas vezes, inalcançável imposto pela mídia e aproveitada pelas empresas cosméticos, causando uma onda de inquietude entre os brasileiros

Em primeira análise, é importante ressaltar que é inegável a influência do poder midiático na construção de um padrão de beleza em virtude dos numerosos veículos de comunicação que estão constantemente presentes na vida cotidiana dos brasileiros. Do ponto de vista do sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo está sempre exposto a códigos - fatos sociais - imperativos e coercitivos colocados pela sociedade, e isso se generaliza através da mídia transmitindo a cultura, informações e ditando as demais regras da sociedade. Portanto, esses veículos de comunicação impõem sobre os indivíduos um estereótipo de corpo ideal, influenciando os querer alcançar este.

Além disso, as empresas do ramo de beleza utilizam, além desse modelo imposto pela mídia, publicidades, cenas em filmes e séries para vender seus produtos, com a ideia de facilitador dessa buscar. Segundo os pensadores da escola de Frankfurt, o objetivo da indústria cultural é produzir conteúdos a partir do padrão de gosto público para torná-lo homogêneo e, logo, facilmente atingível. Nessa perspectiva, há um apelo emocional na venda de um padrão de beleza, o que pode torna mais frustrante não possuir isso.

Por conseguinte, vê-se um número crescente de cirurgias plásticas, implantes de silicone e até, em casos extremos, injeção de óleo para aumentar os músculos, tudo isso para se encaixar no modelo de beleza. Dessa forma, a busca por esse modelo tornou-se algo não saudável que, geralmente, causa depressões e vergonha naqueles que não o alcançar.

Diante do exposto, para mitigar o poder de influenciar do padrão de beleza é mister que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, desestruture, por meio de campanhas na redes sociais e palestras escolares que visem estimular a aceitação do próprio corpo como algo belo, o estereótipo de um corpo perfeito a fim de acabar com uma procura irracional e dolorosa desse padrão, tornando os brasileiros livres para escolher a aparência que o mais agrada.