Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 25/09/2020
Debate-se, com frequência, acerca do culto a forma física no século XXI, que para muitos pode ser considerada uma forma de opressão, e para outros de liberdade. No entanto, a busca obsessiva pela fisionomia perfeita, seja ela por se sentir oprimido pelos padrões ou pela busca de liberdade, é extremamente prejudicial à saúde física e psicológica, pois leva as pessoas a tomarem atitudes drásticas para alcançar tal ideal de beleza. Isso se deve, principalmente, a alienação promovida pela mídia que impõe padrões de beleza muitas vezes inalcançáveis. Além disso, a falta de consciência de grande parte da sociedade, no que cerne as idealizações impostas, é outro fator que contribui para essa problemática. Por isso, o poder público deve agir para mitigar essa situação.
Primeiramente, desde o renascimento houve uma crescente valorização do ser humano, retomando os valores gregos que enalteciam um padrão simétrico como belo, enraizando esse padrão na sociedade e influenciando o gosto de muitas gerações. Porém, com o advento da tecnologia, das mídias e do marketing, esses ideais se tornaram cada vez mais editados e inalcançáveis, e seguiram expostos como a aparência perfeita, alienando as pessoas para que sigam esse falso padrão em busca da felicidade e da saúde. Entretanto, de acordo com o filosofo David Hume, a beleza das coisas se encontra no espirito de quem as contempla, ou seja, no sujeito que está observando e não em um ideal exposto pela mídia.
Outrossim, a falta de consciência de grande parte da sociedade, no que cerne a essas idealizações inalcançáveis, é outro fator que contribui para essa problemática. Isso ocorre, devido à ausência de uma educação midiática, que desenvolva um senso crítico e possa reduzir ou evitar a alienação causada pelos meios de comunicação. Segundo retratado no documentário “o século do ego”, muitas empresas e campanhas de marketing se utilizam dos estudos de Freud para dominar as massas e impor os ideais que ajudem em seus objetivos, e a falta de conhecimento da população acerca disso facilita essa manipulação.
Assim sendo, é imprescindível que o poder público aja por meio do Ministério da Educação (MEC) e do Concelho Nacional De Autorregulamentaçao Publicitaria (CONAR), para reduzir os impactos dos padrões midiáticos na sociedade. Para isso, o CONAR deve enviar uma proposta de lei ao poder legislativo, que vise limitar o grau de edição das propagandas que enaltecem um físico perfeito e fora da realidade, com o intuito reduzir a alienação que a mídia provoca na sociedade. Ademais, o MEC deve implementar na grade curricular das instituições de ensino a educação midiática, com a finalidade de desenvolver o senso crítico e a consciência da população, e reduzir a busca por um padrão irreal.