Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 26/06/2020

O filme " Crush à altura", refere-se a uma garota que sofre com os padrões sociais estabelecidos pela sociedade. Não distante da ficção, no hodierno cenário do século XXI, vivencia-se diversificados públicos, que afligem-se ou até mesmo adoecem, por não se enquadrarem nestes padrões de beleza. Destarte, torna-se fundamental medidas para solucionar a problemática em questão.

Em primeiro lugar,consoante a ideia do filósofo Karl Marx, " O pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante". É incontestável a influência que as fontes mediáticas estabelece  no âmbito da beleza, através de novelas, filmes, programas ou até mesmo brinquedos infantis, como por exemplo, A Barbie, que sempre é representada magra, na maioria das vezes loira, com olhos azuis. A mídia, grande representadora dos padrões atuais, ou seja  a “classe dominante” referida por Marx, estabelece estereótipos de um padrão de beleza, de uma idealização de um corpo perfeito, o  que favorece intensamente nos distúrbios alimentares.

Outrossim, cabe salientar que , segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), setenta e sete por cento das jovens de São Paulo, apresentam propensão ao desenvolvimento de algum distúrbio alimentar. A SES ainda afirma que, ao entrevistar estas garotas, elas dizem que as mulheres magras são mais felizes, ou que adorariam simplesmente acordar magras. Na contemporaneidade, há uma “moda” criada pela sociedade, em ter uma vida “fitness”, que inicialmente, na teoria, tem como significado apresentar um bom condicionamento físico e psicológico. Porém, na prática, o que ocorre é que os indivíduos tentam apresentar uma boa aparência fisicamente,apenas para se enquadrar na sociedade, mas , não estão bem com a própria psique. O que ocasiona em intensos agravantes, como a depressão, por apresentar uma baixa auto estima, ansiedade por falta de confiança em si mesmo, dietas inadequadas,uso de anabolizantes, ou enfermidades físicas, como bulimia e anorexia.

Portanto, é mister que o Estado tome providências, para superar o impasse. Para que a população seja conscientizada, tenha uma melhor auto estima, e auto aceitação, urge que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ,elabore campanhas que minimizem estas imposições referentes as idealizações corporais, por meio de controles midiáticos, já que estes são os maiores influenciadores. Além disso, que os profissionais da área, como nutricionistas, psicólogos, elaborem dietas especializadas, além de debates, sobre auto aceitação. Somente assim, serão amenizados os agravantes que os padrões sociais e a forma física proporcionam.

Ademais, essa pressão social pela busca do corpo perfeito e por uma vida mais saudável se torna contraditória quando começa adoecer as pessoas. O desenvolvimento de doenças como bulimia, anorexia, ansiedade e depressão não são inexplicáveis, elas ocorrem devido a necessidade criada pelos indivíduos de ser aceito pela sociedade, tendo como única opção a adequação aos padrões impostos pela ditadura da beleza. A obsessão pela perfeição, reflexo de sucessivas intervenções cirúrgicas e tratamentos estéticos em artistas, como o cantor Michael Jackson, exemplificam bem tal fato.

O modismo hodierno se baseia no estilo de vida “fitness” e a imposição rigorosa dessa moda pelos bombardeios midiáticos, principalmente pelos “digital influencers”