Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 01/07/2020
Em sua música “Pretty Hurts” (em português “A Beleza Machuca”), a cantora norte-americana Beyoncé faz uma crítica aos padrões de beleza impostos pela sociedade. O videoclipe junto com a letra da música, trazem uma reflexão sobre o culto à forma física na atualidade e como isso afeta principalmente as mulheres, pois acaba prejudicando a maneira como elas enxergam a si mesmas e por isso, fazem sacrifícios em nome da beleza.
O mundo ocidental ainda associa os ideais de beleza ao padrão europeu: mulheres brancas e magras. Por conta da influência da mídia, esse arquétipo é difundido em todas as camadas sociais, desde a infância. Mulheres que não se enquadram nos padrões são oprimidas. Nas escolas, por exemplo, inúmeras crianças são vítimas de bullying em razão de estarem acima do peso. Outro aspecto refere-se à indústria da moda, que em sua grande maioria, produz roupas que não correspondem aos diferentes tipos de corpos, promovendo certa exclusão.
Por consequência desses fatores, observa-se um aumento da procura por dietas e academias. Relaciona-se magreza à saúde, embora nem sempre essa relação esteja correta. Por mais que em determinadas situações a prática desses métodos de emagrecimento sejam por questões de saúde, não se pode negar a influência da busca pelo corpo ideal associado à beleza. Ainda é possível citar os procedimentos estéticos e cirúrgicos, além dos distúrbios alimentares como bulimia e anorexia, que muitas vezes causam graves problemas, como por exemplo o caso da apresentadora Andressa Urach, que precisou ser internada após complicações de um tratamento estético.
Portanto, percebe-se que atualmente o culto à forma física é responsável por submeter grande parte da população feminina a situações desagradáveis, a fim de se adequarem aos padrões estabelecidos. Visto que é algo presente na cultura, é necessário uma mudança no comportamento da sociedade. É preciso que haja mais representatividade na mídia, mediante campanhas que valorizem a diversidade da beleza, bem como a presença de diferentes arquétipos em propagandas, desenhos e programas. Também é responsabilidade da indústria da moda promover a inclusão e aceitação por meio de desfiles e produtos mais heterogêneos, representando todos os corpos. Outra medida necessária é a conscientização nos lares e escolas a respeito da autoaceitação, junto de acompanhamento psicológico, com o objetivo de que os padrões impostos sejam superados e assim, os problemas decorrentes da busca pelo corpo perfeito possam ser evitados.