Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 01/07/2020

Consoante ao poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, o culto pela forma física no século XXI não é um problema atual. Desde a Revolução Industrial, com início no século XVIII, essa vicissitude é uma realidade, a qual tem cada vez mais influência midiática e podendo ocasionar doenças como bulimia, anorexia, ansiedade e depressão.

A priori, os indivíduos são influenciados a seguir o padrão estético estabelecido pela sociedade de consumo. Segundo Adorno, filósofo da escola de Frankfurt, os receptores dos meios de comunicação são vítimas da indústria. Nesse sentido, a mídia atua, por meio de novelas, propagandas e telejornais, na indução da busca exagerada pela beleza, sob a perspectiva de promoção da felicidade e integração social. Dessa forma, o excesso de culto à fisionomia e ao “Perfect Body” é resultado da alienação da população diante a imposição de uma cultura propícia ao consumismo.

Ademais, essa pressão social pela busca do corpo perfeito e por uma vida mais saudável se torna contraditória quando começa a adoecer pessoas. O desenvolvimento de doenças como bulimia, anorexia, ansiedade e depressão não são inexplicáveis, elas ocorrem devido a necessidade criada pelos indivíduos de serem aceitos pela sociedade. A obsessão pela perfeição, reflexo de sucessivas intervenções cirúrgicas e tratamentos estéticos em artistas, como o cantor Michael Jackson, exemplificam tal fato.

Feitas as reflexões, é notória a urgência na adoção de medidas que revertam o quadro apresentado. Entre elas, a mudança de postura de novelas, propagandas e telejornais, propagando uma vida mais saudável, mas não deixando de enfatizar a importância da autoaceitação, da valorização das diferentes belezas e da excentricidade de cada pessoa. Bem como o desenvolvimento de projetos de apoio àqueles que já sofreram com distúrbios causados pela obsessão ao culto da forma física, disponibilizando tratamento gratuito e acompanhamento psicológico, organizado pelo Ministério da Saúde, seria também uma opção de iniciativa eficiente a fim de que assim se possa alcançar uma autoestima de qualidade desvinculada ao narcisismo tão frequente hodiernamente.