Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 02/07/2020

Os problemas relacionados a padrões de beleza e a forma como eles são impostos a cada ser humano, fazendo-o acreditar que não existe felicidade fora de tal padrão, tão equivocado, já vem acontecendo desde muito tempo. As pessoas são julgadas e discriminadas pela sua aparência, o que é extremamente injusto, pois ninguém escolhe qual corpo, rosto, cor, etnia ou peso terá ao nascer. Isso transforma a vida desses indivíduos em uma batalha árdua, os faz infelizes, põe neles um sentimento de culpa e de rejeição que eles não deveriam carregar.

Acontece que, ao decorrer dos anos, mesmo com uma ampliação significativa na comunicação mundial, por meio da internet, ainda não foi totalmente desenvolvida e agregada a ideia de que o amor-próprio e a autoaceitação são essenciais. A indústria se aproveita disso para manter seu bolso cheio e aumentando, usa técnicas para convencer qualquer um que veja suas propagandas e produtos que, sem aquilo ali, ele não pode se sentir ou se considerar completo. E funciona bem, já que a população não está sendo ensinada do contrário. O que é comprovado ao analisar o aumento constante dos números de cirurgias estéticas feitas anualmente em cada país, tendo o Brasil em primeiro lugar no ranking.

Embora atualmente tenha se falado mais no assunto, principalmente nas redes sociais, ainda não é suficiente para conscientizar uma sociedade inteira. Pois já está enraizada a cultura da insuficiência, nunca está bom, sempre há algum defeito ou algo a ser modificado, mudado. Muitas vezes até é passado de geração em geração nas famílias, onde é reforçado em casa uma cobrança desnecessária. Por que o menino precisa emagrecer se o médico disse que a saúde dele está ótima? Ela não é considerada bonita só porque tem celulite? Bonito de verdade é cada um se aceitar como é e viver feliz desse jeito, sem se sentir excluído e sem se castigar todos os dias por não conseguir se espremer dentro de um padrão tóxico.

Portanto, o ideal seria introduzir esse novo dilema de vida, onde a autoaceitação e amor-próprio não são sonhos impossíveis, logo na criação e no crescimento de crianças e adolescentes. Criando um projeto que vise ir regularmente em escolas, com o intuito de conscientizar pais e filhos que o importante é ser saudável, não perfeito. Fazendo comerciais, documentários e outras formas criativas de normalizar esse pensamento nos dias atuais. Assim como, também, continuar falando deste problema para amigos e família, espalhando as sementes. Não causará um resultado imediato, porém, futuramente as pessoas terão uma visão mais equilibrada e correta do que realmente é belo.