Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 30/06/2020

Por volta dos anos 40, Marilyn Monroe e Elisabeth Taylor eram consideradas ícones femininos com suas curvas acentuadas e cabelos enrolados, portanto, nem sempre o culto à magreza foi um padrão de beleza. Comprovando que padrões são sempre culturais e mudam ao longo do tempo, resta discutir os impactos e as consequências dessa padronização na contemporaneidade.

A impassividade do corpo perfeito é imposta todos os dias. Seja em capas de revistas ou mídias sociais, homens e mulheres elegantes estampam o ideal da perfeição. O grande problema é que, no mundo real, esse padrão é impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por não alcançar o objetivo que lhe é imposto. Sentimentos são desenvolvidos, e as pessoas passam a acreditar que apenas dentro daquele padrão, serão saudáveis, desejadas, bonitas e aptas.

Além disso, essas padronizações desencadeiam uma busca desenfreada para se assemelhar ao “belo”, muitos chegam a arriscar suas vidas com procedimentos estéticos e cirúrgicos, nos quais, muitas vezes podem causar alergia, rejeição, infecção, aniquilando de vez a autoestima e o prazer de viver da pessoa.

Ademais, vivemos em um mundo capitalista, onde os interesses e desejos são produzidos em massa. Portanto, para a industria, é mais fácil se adequar aos padrões e produzir de acordo com eles, para realizar uma venda desenfreada. Hoje já se ouvem vozes contrárias a esses padrões, entretanto, a mídia ainda possui um poder muito forte sobre a sociedade, e, aliada ao modo capitalista, contribui para que esses estereótipos aumentem.

Contudo, é preciso que se reflita diariamente sobre essa representação corporal que nos é imposta. O primeiro passo deve ser dado por nós, indivíduos, de nos libertarmos dessa visão limitada de beleza. A mídia, por sua vez, deve assumir sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre esse assunto.