Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 02/07/2020

Há séculos, estereótipos de beleza são evidentes na sociedade; diferentes culturas estabelecem padrões convenientes conforme gênero, etnia e classe social. No período clássico, o culto ao belo era evidente em esculturas e pinturas, na literatura ficavam claros os atributos femininos idealizados em cada movimento. Essa supervalorização das aparências tem levado muitos a atravessar o limite de vaidade saudável, se tornando nocivas tanto à saúde física quanto mental.

A não aceitação não acontece repentinamente, é uma ideia implantada no cotidiano. A mídia utiliza seus recursos para promover um padrão corporal, que consumido pelo homem, pode virar um estimulo à baixa autoestima e afetar a relação que existe com o próprio corpo. Os padrões de beleza impostos se tornam para muitos metas inatingíveis. O homem tem colocado sua saúde em risco, a fim de se sentir aceito e inserido em um estereótipo ditado pela sociedade. Vários indivíduos recorrem à anabolizantes, procedimentos cirúrgicos e dietas exigentes que podem desencadear distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia. Além de afetar a saúde mental, visto que, a falha na busca pelo “corpo ideal” produz inúmeras frustrações e constante insatisfação pessoal.

Desta forma, a mídia incentiva a indústria da beleza, fazendo o mercado crescer. Tornando-se cada vez mais frequente consumir revistas, jornais e programas de televisão com anúncios de cosméticos, remédios, academias e outros meios para se obter um corpo padronizado.

Os meios de comunicação são os maiores influenciadores dos padrões, porém com pequenas mudanças e ações de inclusão e diversidade, podem contribuir para a quebra do paradigma e uma maior valorização da beleza física; é preciso a contratação de atores, modelos, cantores e outros artistas que tragam representatividade no mercado de entretenimento; flexibilidade de marcas e empresas para a produção de novos produtos que englobem todos os tipos de corpos; campanhas, palestras e propagandas de conscientização e autoaceitação. E o exercício de maior importância é a valorização trabalhada por nós mesmos. Aprender sobre nosso corpo e cada característica dele, entender a nossa singularidade, e quebrar padrões de beleza irreais, que nos fazem perder nossa individualidade e identidade.