Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 20/07/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa existencialista, Simone de Beauvoir, pode servir de metáfora ao culto à forma física no século XXI, uma vez que, por mais escandalosa que seja a situação, poucos são os esforços destinados para resolvê-la. Diante disso, indubitavelmente, tal conjuntura opressiva advém tanto da influência da mídia quanto dos métodos extremos utilizados para alcançar um corpo “digno de culto”.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que, em 2020 a Netflix lançou o documentário “Miss Americana” o qual aborda os mais de 10 anos de carreira da cantora, compositora e nomeada artista da década, Taylor Swift. Nessa obra, a artista milionária fala sobre como o mundo midiático descarta corpos que não atingem os padrões e de que maneira isso a influenciou. De modo consequente, ela exemplificou a irrealidade dos físicos exigidos e tão desejados pela sociedade “Se você tem uma cintura fina, as suas nádegas não são tão fartas quanto deveriam ser e vice-versa, é simplesmente impossível conseguir ambos ao mesmo tempo”, assim, conclui-se que a imprensa obtém de grande influência e poder sobre várias pessoas, incluindo grandes milionários.
Ademais, lembra-se do clipe audiovisual, “Orange Juice” ou “Suco de Laranja”, do último álbum da cantora Melanie Martinez, “K-12”, o qual aborda a forma como a sombria ditadura da beleza contemporânea leva muitas pessoas a desenvolverem um gravíssimo transtorno alimentar, a bulimia. A bulimia é uma doença na qual o indivíduo cria repulsa ao seu corpo e peso, de tal forma, ele toma medidas para evitar o ganho de peso, pratica exercícios em excesso, realiza jejuns de longa duração e/ou expurga o alimento por meio de vômitos. A canção se inicia com a imagem de uma adolescente forçando o vômito no toalete escolar ao ser incentivada por uma amiga e logo após tem uma crise de choro, ao longo da música a artista incita a garota a abandonar as práticas bulímicas e a desenvolver o amor próprio ao dizer frases como “A sua aparência não é um problema”, “Diga que você irá parar” e “Seu corpo é imperfeitamente perfeito”.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Saúde se una ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para organizar propagandas educativas, realizadas por profissionais da saúde e influenciadores digitais, que serão propagadas pelos meios de comunicação, nelas serão abertas discussões sobre a construção opressiva da divinização de um tipo corporal, a importância da desconstrução de tal imagem e um influenciador digital irá dar seu depoimento sobre a sua relação com seu corpo. Esse trabalho terá a finalidade de usar a influência midiática de forma positiva e finalizar o escândalo do culto ao corpo.