Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 22/07/2020

Na obra cinematográfica “O Amor é Cego”, o protagonista apaixona-se por uma mulher acima do peso, ato que contraria seu ideal de envolver-se  somente com mulheres de físico adepto ao padrão de beleza considerado ideal: possuir a forma corporal magra e curvilínea. Paralelo à abordagem do filme, na sociedade contemporânea, nota-se um pertinente culto à forma física, buscado por homens e mulheres, ocasionando uma segregação social provinda da busca incessante pela perfeição e que, consequentemente, impacta na saúde física e mental de um indivíduo.

Convém ressaltar, a princípio, a grande influência que o cenário midiático exerce sobre as pessoas, sobretudo quanto à imposição de um padrão de beleza inatingível. Nesse sentido, segundo o pressuposto do escritor George Orwell, “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”. Sob essa ótica, nota-se o poder manipulador pertencente às mídias digitais em relação à população. Com isso, faz-se aprazível a necessidade da orientação e remodelagem de pensamento comum do corpo cívico quanto às variadas formas físicas existentes.

Cabe destacar, ainda, a massiva influência da indústria da beleza sobre os cidadãos, resultando em um consumo exacerbado de produtos e medicamentos. Como prova disso, segundo dados da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 28% dos brasileiros com massa corporal normal utilizam diuréticos ou inibidores de apetite. Além disso, a normalização de um arquétipo de corpo esteticamente padronizado contribui para o aumento do índice de doenças, como a depressão e anorexia, decorrente da usual baixa auto estima.

Infere-se, portanto, a primordialidade de usufruir da liberdade, sem quaisquer tipo de opressão ao tratar-se da forma física no século XXI. Em vista disso, é relevante um trabalho sinérgico exercido pelas mídias digitais e o Estado, ao investir em campanhas que têm como objetivo desmistificar a uniformização dos corpos. Ademais, proporcionar rodas de conversas e palestras públicas com profissionais da saúde a fim de debater sobre o tema e promover a autoaceitação da forma física individualmente.