Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 28/07/2020

Desde o surgimento da Revolução Francesa, no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, a questão do culto a forma física aponta que os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, pregados por esse motim, são atestados na teoria, mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela falta de fiscalização dos trabalhos midiáticos pelo estado e, também, pela banalização da saúde física pelas blogueiras. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.

É relevante abordar, primeiramente, que a imposição de padrões estéticos pela mídia deriva de uma inércia governamental. Segundo Aristóteles, a política deve ser uma arte de se fazer justiça e, com ela, levar equilíbrio à sociedade. De maneira símil, é possível perceber que o conceito atual de beleza desfaça essa harmonia, haja vista que, nos comerciais de cosméticos e cervejas, por exemplo, sempre são contratadas mulheres magras e com o fenótipo europeu. Todavia, essas propagandas são segregadoras, uma vez que a maioria das pessoas não se enquadram no perfil e, como consequência, moças se submetem a procedimentos estéticos e dietas mirabolantes para se encaixarem nesse molde tido como ideal.

Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Líquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras, se evidencia quando algumas blogueiras utilizam sua influência para incentivar suas seguidoras a se tornarem magras, com exercícios físicos que sobrecarregam os músculos e uma alimentação pobre em nutriente, sem se preocuparem com a saúde e o bem estar dessas pessoas. Com isso, mulheres se frustram, por não conseguirem seguir os treinos e dietas, e acabam descontando essa infelicidade na comida e, consequentemente, aumentam o peso corporal.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca do culto à forma física é imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Comunicação, elabore um projeto de lei que deverá ser entregue ao poder legislativo, para que, se for aprovado, seja estabelecido uma porcentagem de que 30% dos contratados, para comerciais televisivos, sejam pessoas fora do modelo de beleza midiático. Com essa medida, o telespectador se sentirá mais representado ao notar que seu corpo também pode estar na televisão, isso culminará em uma diminuição drástica na busca por uma estética perfeita, uma vez que outros padrões ganharão espaço.