Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 02/09/2020
A série televisiva “Insatiable”, retrata os desafios de uma adolescente em tentar se encaixar nos padrões de beleza exigidos pela sociedade atual, bem como as consequências trazidas por essa busca insaciável pela perfeição. Fora da ficção, é possível estabelecer uma relação análoga entre a obra e a conjuntura contemporânea, visto que o modelo estético propagado pelas mídias oprime os indivíduos que se encontram fora desse parâmetro, o que desencadeia distúrbios físicos e psicológicos nesses. Com base nisso, medidas interventivas são necessárias.
Em primeira análise, pode-se afirmar que esse padrão estético restritivo não é algo recente, haja vista que ele esteve presente em grande parte da história humana. Na Grécia Antiga, por exemplo, o corpo considerado ideal era o magro, com músculos definidos, de pele branca e rosto harmônico, o qual era cultuado e representado nas esculturas como o modelo a ser seguido, por outro lado, aqueles que não apresentassem tais características, eram desprezados. Ao longo dos séculos, apesar de apresentar pequenas modificações conforme o momento histórico, essa ideologia foi postergada entre as gerações e prevalece até os dias atuais em escala global. Dessa maneira, observa-se uma inversão de valores mantida durante milênios, em que a beleza idealizada se sobressai aos princípios humanos morais e éticos.
Em segunda análise, cabe ressaltar que essa obstinação pelo corpo perfeito, é responsável pelo desenvolvimento de disfunções tanto físicas, quanto mentais. Na música “Pretty Hurts”, a cantora Beyoncé escracha o padrão inalcançável vigente, em trechos como “a perfeição é a doença de uma nação” e “não se pode consertar algo que não se pode ver, é a alma quem precisa de cirurgia”. A letra da canção reflete a realidade de milhões de pessoas que acabam desenvolvendo diversos problemas de saúde em prol da obsessão por modelos estéticos específicos, como mostram dados da Secretaria de Estado da Saúde, os quais revelam que 77% das jovens de São Paulo apresentam propensão a desenvolver distúrbios como bulimia e anorexia, além de baixa autoestima por conta da aparência.
Portanto, conclui-se que o culto exacerbado à forma física no século XXI é um problema, visto que afeta a saúde e o bem estar mental de milhões de indivíduos. Dessarte, é de extrema importância o papel da escola na conscientização quanto à quebra desse estigma, por meio de debates sobre autoaceitação, visando desenvolver nos estudantes um olhar crítico sobre esse assunto. Ademais, é papel do Ministério da Saúde, criar campanhas, divulgadas por meio da televisão e internet, que exaltem a diversidade de biotipos e enfatizem esse discurso de autoafirmação e amor próprio, com o fito de promovê-los e tornar os impactos desse padrão opressor cada vez menores.