Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 24/09/2020

“Modelo ocidental magra, clara e alta, miss beleza universal, é ditadura! Quanta opressão não basta ser mulher, tem que tá dentro do padrão”. O trecho da música, da cantora Bia Ferreira faz alusão a ditadura da beleza, que oprime e mata pessoas de todos os sexos, porém as mulheres são as vítimas mais atingidas. Nessa perspectiva, observasse que cada dia mais as doenças psicológicas tem crescido na sociedade, e a suas principais razões são as mídias sociais e a ideologias narcisistas. Por tais circunstâncias, estas  arbitrariedades precisam chegar ao fim.

O psiquiatra Augusto Cury deu voz em seu livro " A ditadura da beleza e a revolução das mulheres" a muitas mulheres que sofrem caladas as consequências dos paradigmas exigidos pela sociedade, que exaltam uma beleza idealizada e incomum. Ademais, quem não se encaixa nesse padrão se sente excluído e rejeitado, muitos jovens, muitas mulheres, crianças e até adultos desejam ter o corpo perfeito dos modelos das capas de revista ou o rosto angelical dos artistas de novela ou aqueles cabelos lisos dos europeus. Por conseguinte, muitas pessoas não se encaixam nesse padrão, e as mulheres são as que mais sofrem para tentarem ser aceitas, como consequência muitas tem sofrido transtornos alimentares e psicológicos, como bulimia, anorexia, depressão e chegado a cometer suicídios por não conseguirem ser aceitas como são. Dessa maneira, enquanto não houver uma mudança de pensamento, muitos continuaram oprimidos.

Em 2017, o jornal “mundo ao minuto” publicou uma matéria, sobre o suicídio de uma menina irlandesa de apenas 11 anos, que se matou por não está satisfeita com o próprio corpo, ela afirmou em seu diário “garotas bonitas não comem”. Tal fato, chocante, denúncia o poder das mídias sociais e das ideologias narcisistas que afetam pessoas de todas as idades e sexos, a necessidade de aceitação, de se encaixar em um padrão é uma marca da sociedade contemporânea e esse padrão imposto é muito excludente, exclui negros, obesos, cabelos cacheados e crespos, olhos escuros, traços marcantes, excluem uma grande parcela da sociedade que acreditam que por não terem marcas consideradas “bonitas”, não são belos. Logo, urge uma mudança na ideologia social.

Destarte é fato, que medidas devem ser engendradas para que haja uma ruptura com os conceitos de beleza vigente. Faz-se necessário, portanto que o Ministério da Saúde, em consonância com profissionais da área, criem campanhas de conscientização, por meio de propagandas e das mídias sociais que mostrem que todos são igualmente belos, que incentivem mais as pessoas a assumirem suas origens, que pregue contra o racismo e contra todos os tipo de preconceito com qualquer grupo social com o fito de produzir cidadãos que se respeitem, apreciam e enalteçam a beleza alheia.