Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 06/10/2020

O mito de Narciso, oriundo da mitologia grega, retrata um jovem que de tanto se admirar foi amaldiçoado e, assim, expressa a busca constante dos seres humanos pela beleza presente nos seus respectivos corpos. Por outro lado, o culto a forma física no século XXI é evidente, bem como é na narrativa citada, e também tem oprimido pessoas ao invés de libertá-las. Nesse viés, é preciso discutir as principais causas e consequências negativas da perpetuação desse culto.

Numa primeira análise, é válido apontar que o padrão de beleza atual foi construído por intermédio das mídias que propagam um ideal de beleza único e inalcançável. Embora na Antiguidade Clássica o belo feminino se pautava em mulheres de massa corporal elevada, sinônimo de riqueza na época, na contemporaneidade ser linda é seguir um conjunto de fatores, como a magreza e a pele mais clara, reforçados midiaticamente. Nesse sentido, a principal mídia que disseminou esses ideais foi o cinema com as atrizes de “Hollywood”, em especial Marilyn Monroe na década de 60, que incentivou as mulheres a seguirem um padrão estético impossível de se alcançar naturalmente, visto que o código genético de alguém é dificilmente modificado.

Sob uma segunda ótica, é inegável que a perpetuação desses do culto ao corpo oprimem todos que estão sobre sua influência, uma vez que desencadeiam transtornos alimentares. Nesse cenário, as pessoas que tentam se encaixar no padrão de beleza imposto e não conseguem estão sujeitos aos transtornos alimentares como anorexia e bulimia. Entretanto, tais distúrbios prejudicam o corpo humano e fazem com que não haja a devida ingestão de calorias diárias, provocando a magreza extrema e por vezes o vômito forçado. Ademais, os portadores dessas enfermidades, além de apresentarem deficiência nutricional, estão suscetíveis a depressão e a tentativa de suicídio. Logo, não há liberdade alguma em um culto à forma física, em especial centrado em um padrão de beleza midiático.

Torna-se claro, então, que é imprescindível a tomada de decisões com o objetivo de mitigar a influência do padrão de beleza midiático no comportamento humano. Portanto, é necessário que as mídias passem a divulgar diferentes formas de beleza, não somente a que está dentro do padrão, por meio dos seus veículos de comunicação — redes sociais, jornais e anúncios. Por conseguinte, tendo como finalidade a diminuição de maneira gradativa do culto ao corpo, que induz transtornos alimentares e doenças mentais como a depressão. Dessa forma, a conduta de cada ser humano não será afetada de maneira negativa pelas mídias e, sendo assim, o mito grego de Narciso deixará de ser realidade no dia a dia de quem tem sido afetado por essa doutrina do corpo perfeito.