Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 09/10/2020
Os questionamentos sobre o que é a beleza remontam desde os tempos da Antiguidade, com Aristóteles e Platão, que diziam que o belo é algo associado a uma noção de perfeição e magnitude. À partir disso, é possível notar que o ser humano sempre esteve preocupado com o quão belos eram os aspectos de sua vida, desde o seu trabalho até seus próprios corpos. Este último ponto ganhou imensa força no século XXI, em que as pessoas estão cada vez mais sendo oprimidas pela mídia por meio de propagandas que cultuam modelos de corpos inalcançáveis, o que pode causar sérios danos psicológicos naqueles que não se encaixam no padrão estético.
Primeiramente, observa-se que, embora ambos sejam afetados pela mídia, a pressão estética encontra-se presente muito mais na vida de mulheres do que de homens. Tal afirmação se explica pelo fato de à cada 10 pessoas que sofrem de distúrbios de imagem como anorexia e bulimia, 9 delas são mulheres. O valor que é dado ao corpo feminino pelas pessoas e pela mídia em geral é algo que mexe demasiadamente com a mentalidade de meninas jovens e adultas, o que as fazem recorrer a métodos para manter seu corpo em forma que acabam por colocar em risco a sua própria saúde, com dietas super restritivas e procedimentos estéticos desnecessários.
A cantora e compositora americana Melanie Martinez tem a crítica aos padrões de beleza como um dos temas recorrentes em suas músicas. Em um trecho da música “Mrs. Potato Head”, Melanie canta: “Não seja dramática, é só um pouco de plástico, ninguém vai te amar se você não for atraente”. A letra mostra o quanto pessoas são incentivadas, desde novas, em procurar imperfeições em seu corpo à ponto de arriscar suas vidas em cirurgias. Um exemplo atual disso é a grande onda de insatisfação que homens estão tendo após realizar um procedimento chamado de “harmonização facial”, que possui grandes chances de não apresentar resultado condizentes com as expectativas do paciente.
Diante do exposto, fica evidente que medidas devem ser tomadas à fim de erradicar o desejo pela perfeição estética das pessoas. O Ministério da Educação, em parceria com empresas privadas do ramo da beleza, deve organizar palestras e propagandas que busquem incentivar a normalização de corpos reais, não aqueles que são vistos na televisão. Deve haver um incentivo à inclusão de pessoas gordas em diferentes tipos de comerciais de produtos estéticos, assim como uma maior aproximação com meninas menores de idade, para que sua saúde mental seja preservada dos padrões impostos. Desta maneira, podemos alcançar uma sociedade mentalmente saudável e inclusiva.