Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 08/10/2020

O filme ‘O Diário da Princesa’, mostra de forma sútil a opressão trazida pelos nocivos padrões de beleza. A personagem Mia, passa por um reviravolta ao descobrir que o seu pai é príncipe de um pequeno país europeu. Tendo notícia de sua sucessão real, recebe uma visita de sua recém-descoberta avó, mãe de seu pai, que lhe dá aulas de etiqueta, entre outros. No processo, Mia passa também por uma transformação: o alisamento dos seus longos cabelos cacheados.

Aos olhos de muitos, a mudança na aparência da personagem pode passar despercebida, e parecer algo ordinário. Porém, de posse desse detalhe, em uma análise cuidadosa de como se desenvolveram e vem se desenvolvendo os ideais estéticos, percebe-se que há uma carga midiática coercitiva que vem coagindo milhares de pessoas para aquisição de cabelos e corpos distintos dos quais se têm.

Uma vez que as variadas empresas planificam seus marketings alicerçados nesses modelos visuais inatingíveis, homens e principalmente mulheres são oprimidos e sofrem com dietas absurdas, exercícios em excesso, complicações decorrentes de procedimentos estéticos mal feitos, e distúrbios alimentares e emocionais. Em 2014, em um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde com 150 pacientes paulistas entre 10 e 24 anos, 85% disseram acreditar que existe um padrão de beleza imposto pela sociedade; 46% afirmaram que mulheres magras são mais felizes; e 55% adorariam simplesmente acordar magras.

Mediante todos os desdobramentos negativos, anteriormente expostos, que a imposição direta e indireta de padrões estéticos acarreta, algumas medidas devem ser tomadas. Primeiramente, os governos estaduais e municipais devem, em parceria, organizar a realização de palestras sobre a problemática e suas consequências, pelas escolas e faculdades de cada localidade. Em segundo plano, a sociedade deve trabalhar para uma reeducação de princípios, podendo assim extinguir a toxicidade presente nesses moldes de beleza transmitidos em propagandas, redes sociais e outros recursos midiáticos. Doravante, corpos, cabelos, ou quaisquer outras características físicas poderão ser aceitas e respeitadas, em todas as suas formas e distinções.