Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 03/11/2020
Nos tempos antigos, os filósofos Platão e Aristóteles atribuíram ao belo uma importância gritante, a ponto de defini-lo, juntamente à ética, como essencial para o que torna humano um ser. Levando em consideração esse fato, não é errôneo dizer que, no século XXI, a estética é algo considerado tão importante quanto, talvez até mais, tendo se tornado um aspecto essencial na vida das pessoas. Todavia, dentro disso, surgiram também os padrões de beleza, um ideal imposto pela sociedade que todo e qualquer um procura seguir a fim de ser aceito, e, devido às influências midiáticas, a relevância da aparência coloca-se, hoje, como preocupação geral atrelada a um conflito entre a adequação corporal e os limites da saúde.
A priori, é importante citar que o nível de valorização do corpo é espelho do contexto histórico-cultural de um povo. Com isso em mente, é fato dizer normas impossíveis eram estabelecidas desde cedo, como na época anterior à revolução francesa, quando a realeza, que era o ícone de beleza na época, ditou um padrão impossível de ser alcançado pela burguesia e pela plebe, que eram de um grupo social completamente diferente. Nesse contexto, hoje, a necessidade de pertença a determinados grupos sociais leva o indivíduo a buscar atingir padrões de vida, estilo e beleza, principalmente impostos pela mídia, que objetiva apenas vender imagem e estimular o consumo.
Em conseguinte, é necessário ressaltar que todo estilo de vida requer harmonia e equilíbrio, porém a sociedade busca resoluções imediatas para problemas que poderiam ser resolvidos num prazo maior e mais seguro. Sob essa luz, o mercado ilícito oferece sustâncias e medicamentos que não apresentam benefícios para quem os consome. Ademais, os meios de conquista do padrão ideal quase sempre não respondem aos anseios do cidadão, pois muitas insatisfações estão no campo psicológico e emocional, e , além disso, são fatores que provocam distúrbios alimentares como bulimia, anorexia e anemia, podendo causar também depressão pela não adequação a um padrão.
Em suma, fica claro que a mídia tem um papel essencial na formação da opinião pública. Logo, se faz necessária uma mudança em sua postura persuasiva e ditadora de costumes. Ademais, os setores educacional e cultural devem propagar estilos de vida saudável e o governo deve promover o avanço da medicina, fundamental para a qualidade de vida, bem como para um novo modelo do sistema de saúde. Dessa forma, com tais medidas, os direitos básicos do cidadão, assim como os limites da capacidade corporal, serão respeitados e garantidos como versa a Declaração Universal dos Direitos Humanos.