Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 10/11/2020
No filme estadunidense “O Amor é Cego”, a protagonista Rosemary sofre de baixa autoestima, tem dificuldades de aproximar-se de homens, é solitária e reclusa por sentir-se diferente do padrão estético considerado belo e exibido por revistas, TV, cinema e sociedade. Essa situação ilustra a disseminação real de um estereótipo de beleza pelas mídias televisiva, cinematográfica e impressa, como também agora pelas redes sociais entre os internautas, que não só oprime as pessoas que não alcançam, ou alcançam com muito custo, o padrão estético imposto, como também resulta em problemas físicos e mentais de saúde da população brasileira.
Em primeira análise, tem-se que as mídias supracitadas exibem um padrão de beleza e o utilizam incessantemente com marcas, produtos e comercias para gerarem lucro. Com essa intensa publicidade sobre o corpo ideal, a sociedade passa a ser induzida a ter um corpo como os mostrados em revistas e televisões. Esse interesse intensifica-se com o advento e popularização das redes sociais, pois agora o padrão não encontra-se mais divulgado apenas nos comerciais televisivos, filmes ou novelas, mas também entre os amigos virtuais que exibem um tipo corpóreo, tido como ideal, e acabam recebendo mais “curtidas”, comentários e elogios em suas páginas.
Consequentemente, as pessoas que não conseguem atingir esse modelo ideal propagado podem desenvolver baixa autoestima, não aceitação da sua própria aparência, reclusão, isolamento. E além disso, esses cidadãos podem também ser vítimas de “bullying”, preconceito e outros tipos de violência por não se encaixarem na estética ideal internalizada pela sociedade, o que contribui para o desenvolvimento de doenças mentais, como a depressão, por exemplo. Em adição a esses prejuízos, é possível também que sejam originados outros problemas de saúde, uma vez que, na tentativa de atingir o estereótipo propagado, homens e mulheres recorram a uso de suplementos, remédios, anabolizantes, dietas severas, sem prescrição médica, ou pratiquem atividades físicas de forma excessiva ou incorreta. Logo, percebe-se que a imposição de um modelo ideal estético traz risco à saúde da população.
Nesse sentido, visando a promoção da saúde e a valorização de outros tipos de corpos e aparências, é necessário que o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde executem um programa de conscientização massiva da população brasileira por meio de orientações sobre temas como aceitação, alimentação saudável e práticas físicas sob a ótica da valorização e diversidade estética, por mídia impressa e multimídia - quanto a esse último tipo de veículo, as recomendações serão feitas em vídeos curtos para divulgação em redes sociais e intervalos comerciais televisivos. Dessa forma, em um contexto assim, a personagem Rosemary, do filme citado, não seria oprimida por um padrão exclusivo de beleza.