Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 16/11/2020

Ao deparar-se com influenciadores que apresentam feições artificiais, o consumidor torna-se alvo do irreal. Padrão de beleza afeta não só a plateia, mas também quem está sob holofote, como retrata composições de Little Mix, como “Strip” e “Skinny Skinny” de Ashton Irwin. Levando a busca pelo sucesso ao poço da tristeza, pela perseguição à perfeição inalcançável e exigida.

Inicialmente, as cirurgias plásticas eram realizadas para a reconstrução de ferimentos, ocasionados por punições ou marcas de guerra — Índia século VI e II Guerra Mundial. Posteriormente, esse método chegou ao ramo estético, onde que o Brasil, em 2018, tornou-se o país que mais realiza tais procedimentos, segundo levantamento da Sociedade Internacional da Cirurgia Estética. A busca pela felicidade ganhou caminho fácil pela banalização dos procedimentos. Assim aponta Ivo Pitangoy, cirurgião plástico, há falta de conduta da parte dos pacientes e profissionais sem especialização.

Quando padronizasse algo, excluísse algo. Fato que não foi diferente com o padrão de beleza, esse que segue a história, onde varia em cultura e período. No contexto ocidental do século XXI, o racismo e gordofobia são evidentes, a falta de representatividade — entre tantas — transsexual, indígena e não-binário podem levar à depressão, anorexia e bulimia nervosa, como aponta a Organização Mundial da Saúde. Paralelo a isso, as quatro integrantes do grupo Little Mix, discorrem sobre problemas enfrentados em contato com a industrial musical, Jesy Nelson ainda conta — em documentário — como a pressão estética foi porta de entrada à depressão, ansiedade e tentativa de suicídio. Da mesma forma, a dependência alcoólica e depressão enfrentados por Irwin, transmitido em seu álbum solo.

Portanto, para que a livre escolha dos procedimentos não se torne opressão às realidades de cada indivíduo, o incentivo à aceitação da beleza natural deve ocorrer. Visto que há singularidade em cada um, pessoas de diferentes formas e tipos deverão estar em campanhas publicitárias. Estampar uma só face, é cobrir dezenas. Através de recursos do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em conjunto do Ministério da Saúde, campanhas de autoaceitação em escolas e lugares públicos, atingirá todas as faixas etárias. O acesso fácil às consultas psicológicas auxiliará no bem estar mental. Construindo novas gerações saudáveis não apenas fisicamente, mas mentalmente, visto que a empatia com si é o melhor remédio de uma doença mental. Através do incentivo pelo Ministério da Cultura, a produção e financiamento das produções artísticas de diferentes correntes, manifestará também a representatividade.