Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 18/11/2020

No filme “Megarromântico” é retratado, na primeira cena, uma garotinha assistindo um filme romântico que é atrapalhada pela mãe, dizendo a ela que o que era mostrado na televisão não era real, ao menos, não para elas. A garotinha cresce, então, desacreditada no amor por não ser “perfeita” como as atrizes nesses filmes. Fica claro que a pressão estética sobre as pessoas inicia desde cedo graças à mídia e a própria sociedade.

Por consequência, essa “ditadura da beleza” muitas pessoas, principalmente garotas, desenvolvem distúrbios e problemas psicológicos, além de uma imagem distorcida de si, como em  “Meninas Malvadas”, onde a personagem Regina George procura, durante toda a trama, emagrecer a qualquer custo, mesmo já sendo magra, recorrendo a dietas malucas. Vale lembrar que no filme, a garota, junto de suas duas amigas, ficam de frente para um espelho e começam a listar defeitos em sua aparência, respectivamente.

A música e clipe “Pretty Hurts”, de Beyoncé retratam, de uma forma mais drástica, como a ditadura da beleza atua, pelos bastidores. Beyoncé, no clipe, é uma Miss e passa por tudo para conseguir ser bonita o suficiente e assim, vencer os concursos de beleza. “Tente reparar algo, mas você não pode reparar o que não consegue ver, é a alma que precisa de cirurgia”, como se fosse a insuficiência fosse algo criado e alimentado ao longo do tempo dentro da mente de cada indivíduo inserido na sociedade.

Em suma, a corrida para a perfeição é dolorosa e mentirosa, uma vez que tudo não é bonito e feliz como nos filmes de comédia romântica que a personagem de “Megarromântico” assistia quando menor. Para que o problema seja solucionado, é preciso que a beleza deixe de ser vista como inalcançável que a mídia pare de retratar uma realidade inalcançável e a substitua por retratações realistas, além da sociedade rever seus valores e os atualizá-los, para que todo mundo entenda que, como Melanie Martinez disse: “Corpos não nos definem, não somos eles. Corpo é temporário.”