Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI
Enviada em 02/12/2020
A moral é um conceito fundamental para a sociedade brasileira por priorizar os laços coletivos de inclusão social e abandonar os instintos egoístas. No entanto, quando se refere à autonomia corporal, diversos obstáculos se sobressaem aos desejos da população, como a alienação ao padrão de beleza contemporâneo e a exclusão daqueles que não a reproduzem. Logo, faz-se essencial uma intervenção que busque assegurar o direito de liberdade do uso do corpo.
Em primeiro plano, é importante ressaltar como o cuidado com o corpo se transformou em opressão para a geração do século XXI. Apesar de a Revolução Francesa, a qual foi inspirada por pensamentos iluministas, ter desenvolvido ideais de liberdade, a sociedade atual ainda vivencia imposições, como o padrão de beleza. De acordo com o Ministério da Saúde, a principal manipuladora dessa idealização corporal é a mídia, pois induz os brasileiros a associarem a felicidade ao corpo definido e dentro dos modelos instituídos. Portanto, nota-se a relação do culto à imagem à pressão aplicada pelos meios de comunicação.
Ademais, é relevante destacar como a mídia persuadiu a sociedade a superestimar o corpo a ponto de menosprezar as pessoas que não se submetem ao padrão de beleza. Desde o período vitoriano, século XIX, no qual a beleza feminina estava vinculada às mulheres robustas, o mundo se constitui de imagens utópicas, as quais moldam a sociedade. Sendo assim, com a ascensão das redes sociais, o padrão de beleza teve facilidade para adentrar nas mentes dos usuários e fazê-los não contestarem o paradigma implementado, o que causou a omissão daqueles que não se encaixam nesse modelo. Desse modo, é imprescindível refletir nos fundamentos de integração social e cidadania da Teoria Discursiva do sociólogo Habermas, para que a liberdade do uso corpo seja reconhecida.
Em suma, para que os desafios da garantia do direito à autonomia corporal sejam minimizados, é dever do Governo Federal agir nessa problemática. Nesse contexto, é responsabilidade do Ministério das Comunicações promover a diversidade de aparências, por meio de propagandas e palestras educativas, as quais estimulem a independência corporal pessoal, a fim de desconstruir o ideal de corpo perfeito. Assim, o padrão de beleza midiático, aos poucos, perderá seu poder de alienação, os brasileiros propagarão seus próprios interesses e a liberdade social, proposta pelos revolucionários franceses, será cultivada.