Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 18/04/2021

Opressão Naturalizada

O filme “O Mínimo para Viver”, de Marti Noxton, retrata a realidade de um grupo de pessoas diagnosticadas com anorexia, que chegaram à essa condição em razão da busca por um corpo perfeito. Semelhante à situação descrita, a sociedade atual é composta por muitas pessoas que passam por procedimentos cirúrgicos, alteram suas dietas e mudam seus estilos de vida com o objetivo de encaixarem-se no padrão estético imposto, o qual oprime os indivíduos com o culto à forma física. Nesse sentido, torna-se necessária a discussão sobre o papel da mídia e a postura das empresas do ramo estético na perpetuação desse problema.

Em primeiro lugar, a influência midiática é responsável por impôr comportamentos que prejudicam a saúde dos cidadãos, construindo uma imagem corporal não natural exibida nos canais de comunicação. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, a sociedade incorpora pensamentos difundidos ao longo dos anos e os reproduz com naturalidade, o que é exemplificado na contemporaneidade por meio da insatisfação geral da população com a própria imagem e da obrigatória mudança física, determinadas e incentivadas pela mídia, fatores que trazem infelicidade para os indivíduos, os quais não percebem a naturalização desse hábito prejudicial.

Ademais, pode-se postular as ações de empresas da estética como impulsionadoras dessa problemática. Em decorrência do capitalismo, é comum a indústria de cosméticos divulgar seus produtos em propagandas com pessoas “perfeitas”, instigando a jovialidade eterna e intensificando os padrões de beleza, ao invés de tomar ações, como diferentes campanhas publicitárias, que conscientizem a população acerca da toxicidade desses modelos corporais. Desse modo, as empresas atuam como agentes que perpetuam o culto à forma física e submetem a população a situações desgastantes.

Observa-se, então, a necessidade de impedir a veiculação de propagandas que valorizam os padrões estéticos e de conscientizar a população sobre o culto à forma física no atual século. Para tanto, é preciso que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) fiscalize e barre publicidades que estimulam e persuadem os espectadores a seguir os padrões de beleza inalcançáveis da mídia, por meio de seu sistema de autorregulamentação, visando suavizar o seguimento desses padrões corpóreos e seus efeitos prejudiciais à saúde, também divulgando propagandas que conscientizem a população e retratem a diversidade dos corpos, com mesmo objetivo.