Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 04/06/2021

No filme ‘‘O Mínimo Para Viver’’ é retratada a história de Ellen, uma jovem obcecada em ter um corpo magro e que, por isso, desenvolve anorexia. Transpondo o conteúdo ficcional, na contemporaneidade, o culto à forma física é considerado uma opressão, pois, de forma análoga à obra, problemas como o comportamento compulsivo e a padronização do conceito de beleza são constantes na sociedade brasileira. Logo, é necessário analisar e debater as causas e consequências desses óbices.

Cabe mencionar, em primeiro lugar, a busca contínua por um ideal como o principal motivo para o desenvolvimento de distúrbios, principalmente, entre jovens do sexo feminino. De acordo com o site ‘‘Minha Vida’’, cerca de 90% dos casos de bulimia e anorexia nervosa atingem as mulheres e, esses, estão relacionados à busca implacável pela magreza e ao medo exagerado de engordar. Dessa forma, a obstinação torna-se um estorvo ao gerar diversas patologias e ao contrariar a Constituição Federal de 1988 em que o Estado deve, por meio de políticas sociais e econômicas, garantir a saúde como um direito de todos. Nesse sentido, a negligência estatal contribui para a incidência dos acontecimentos supramencionados e, por conta disso, é imprescindível combater esse cenário nefasto.

Cabe mencionar, em segundo lugar, a pressão psicológica exercida pelos agentes de influência ao definir um padrão estético a ser seguido pela população. Conforme o ilustre sociólogo Émile Durkheim, em sua teoria sobre o ‘‘Fato Social’’, os fatos moldam a maneira de agir e pensar das pessoas pela influência que exercem sobre elas. Portanto, se um único indivíduo ignorar os modelos pré-estabelecidos ele é reprimido e excluído pela maioria, e, assim, a ausência de identificação em um grupo leva ao ciclo da obsessão por uma referência e desencadeia doenças que, antes, não existiam. Ademais, as mídias sociais como Instagram e Facebook permitem a visualização pública do número de curtidas e seguidores em uma foto ou vídeo feita por um usuário e auxilia para esse descalabro.

Em síntese, a emergência em pugnar os conflitos supracitados requer medidas do Ministério da Saúde, concomitantemente com o Ministério da Educação, com o fito de estagnar o desenvolvimento de novos males relacionados a devoção ao físico. Urge disponibilizar em instituições de ensino, como os colégios públicos e privados e em faculdades, auxílio psicológico, por meio de salas instaladas dentro dessas estruturas, com atendimentos gratuitos, oferecido por profissionais da saúde especializados. Outrossim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, juntamente com Organizações Não Governamentais, deverão realizar protestos contra a depreciação gerada pelos paradigmas na internet e pela exposição exagerada, com o fito de impedir a reprodução da história de Ellen na vida dos cidadãos, e, dessarte, o país será composto por pessoas mais saudáveis.