Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 18/06/2021

Ao afirmar que “O homem nasce livre mas por toda parte encontra-se acorrentado”, o filósofo Rosseau refere-se ao homem do século XXI, que mesmo dotado de direitos, é escravo do próprio corpo social ao qual está inserido. Sob essa óptica, é inegável que o culto à forma física na atualidade tem gerado opressão. Essa problemática decorre e persiste, devido a dois principais fatores: a grande influência midiática e a banalização da realização de procedimentos estéticos.

Advém ressaltar, a princípio, que os meios de comunicação expõe incessantemente padrões inalcansáveis de beleza. Dessa maneira, conforme o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu, essa ferramenta que foi criada para se tornar um instrumento de democracia acaba sendo convertida em mecanismo de opressão simbólica. Por conseguinte, a busca pela aceitação aos moldes da imposição de uma aparência perfeita gera auto rejeição, exclusão e até mesmo distúrbios alimentares.

Outrossim, tem se tornado cada vez mais comum a tentativa de melhorar a imagem com auxilio de esteticistas e cirurgiões. Nesse sentido, a música “Mrs. Potato Head” de Melanie Martinez critica diretamente a normalização desses métodos relativos à forma física, levando a reflexão do ser bonito a qualquer custo. Entretanto, a maior influência ainda é sobre como é bom estar dentro dos padrões, negligenciando as consequências para alcançá-los.

Diante o exposto, é imprescindível a minimização dessa problemática. Para que haja plena liberdade quanto a corpos e aparências, urge a mobilização do Estado, que, por meio de parceria com a mídia, deve promover campanhas de conscientização, não só dos internautas, mas principalmente dos digitais influencers - alertando sobre os perigos referentes a veiculação e normalização de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos. Dessa forma, o homem da atualidade irá desvensilhar-se’ das correntes da analogia de Rosseau.