Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 10/02/2022

Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, foi a sociedade pioneira na prática de exercicíos físicos, as atividades estavam relacionadas ao pensamento social construído na época, que atrelava desde saúde até a idealização do corpo. Para além do recorte histórico, o cenário aludido é vivenciado em solo brasileiro, à medida que todo pensamento social gera uma pressão sobre os componentes dessa mesma esfera. Logo, a saúde mental dos indivíduos é comprometida quando a cultuação de sua forma física é elevada, corroborando a manutenção da problemática.

Em primeiro plano, uma a cada quatro pessoas sofre de algum tipo de transtorno mental, conforme relatórios divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma vez que particulamente os distúrbios alimentares têm origem em alguma transversão psíquica, os indivíduos portadores dessas enfermidades possuem uma visão distorcida sobre seu próprio corpo, condicionado pela pressão para que ele seja aceito. Similarmente, como ocorre na vigorexia, condição que leva até a exaustão em exercícios físicos, por julgar que não é prática o suficiente.

Outrossim, as doenças costumam ser originadas não tão somente de atitudes e sim também de pensamentos, conforme teoria defendida por Mahatma Gandhi, líder pacifista indiano. À luz desta perspectiva, a pressão social formada ao longo dos séculos no que tange à forma física foi moldando o pensamento dos indivíduos de como seu corpo deveria se apresentar e performar em exercícios, desconsiderando fatores genéticos, biológicos, mentais e entre outros.

Em suma, infere-se que medidas mais holísticas em relação à problemática discutida devem ser viabilizadas a fim de desmistificar o assunto. Assim, em linhas gerais, cabe ao Governo Federal, por seu cunho gerenciador, em parceira com o Ministério da Cidadania através de sua Política Nacional do Esporte promover assistência psicológica em grupos que pratiquem atividades físicas, bem como implementar canais de comunicação para suporte e auxílio em transtornos mentais, além da conscientização sobre o assunto, que pode ser feita nas academias ao ar livre nas praças das comunidades, para só assim chegar a uma homeostase cidadã.