Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 02/11/2021

O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo padrão de beleza imposto pela mídia é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência midiática e a falta de conscientização da população.

A princípio, é imperioso notar que a indiligência da mídia potencializa a busca por um padrão de beleza “ideal”. Esse contexto de inoperância na sociedade exemplifica a crítica na música “Pretty Hurts” da cantora Beyoncé. Na letra, é retratado o sofrimento em busca de um corpo perfeito, que consequentemente, essa obsessão gera transtornos como ansiedade e depressão, na própria música, a cantora fala que é a sociedade que precisa de uma cirurgia. Nessa perspectiva, para a completa refutação da letra de “Pretty Hurts” na realidade, faz-se imprescindível uma intervenção social.

Outrossim, é preciso apontar que a falta de debate sobre o assunto é um dos fatores que contribui para que muitas pessoas buscarem padrões de beleza inalcançáveis. É notável que o assunto está ganhando um destaque nos últimos anos. Devido ao padrão estabelecido, diversos indivíduos desenvolvem doenças como bulimia, anorexia, depressão e ansiedade.

Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar. Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar o culto à forma física no século XXI. Dessarte, a fim de que toda a sociedade entenda sobre a importância do assunto, é preciso que as mídias – por intermédio de campanhas publicitárias – desenvolvam campanhas para aceitação de todos os tipos de beleza. Paralelamente, é imperativo que o Ministério da Comunicação com o Ministério da Educação, promova debates sobre aceitação e saúde mental em ambientes de ensino básico ao ensino superior, visando modificar o cenário da sociedade em um futuro próximo. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.