Liberdade ou opressão? O culto à forma física no século XXI

Enviada em 17/10/2021

Nas redes sociais é comum encontrar, diariamente, comentários de digitais influenciers indicando clinicas odontológicas que aplicam facetas ou estéticas que realizam lipo lad. Enfim, a busca pelo corpo e pelo rosto perfeito está em todos os cantos da internet e da vida em sociedade. Entretanto, até que ponto essa busca pela perfeição se enquadra no quesito liberdade de expressão, considerando que o culto a forma física, hodiernamente, tornou-se uma forma de opressão. Assim, muitos cidadãos tentam encaixarem-se em padrões de beleza que não existem o que contribui para a frustração ou a problemas mais sérios como a morte.

Primeiramente, alguns cidadãos passam a vida inteira tentando encaixarem-se num padrão que não existe e que muitas marcas disseminam apenas para venderem seus produtos. Deste jeito, as redes sociais assumiram papéis importantes ao que tange esses tipos de comportamentos, visto que existe uma adesão fortíssima da sociedade fazendo seu uso e muitos se influenciam, sem nenhum senso crítico, com tudo o que veem e leem na web. Desta maneira, houve uma procura crescente nos últimos anos por cirurgias estéticas, mais de 140%, como divulgado pelo Jornal da Universidade de São Paulo (USP). Esses dados indicam a problemática forma que os habitantes estão se comportando frente a esses padrões irreais.

Vale ressaltar que essa opressão pelo corpo perfeito leva muita pessoas a procurarem métodos extremamente invasivos, remédios sem indicação e dietas errôneas que prejudicam todo o organismo do indivíduo. Sem contar os problemas psicológicos trazidos, pois muitos, mesmo após realizarem os procedimentos ainda não sentem-se “perfeitos” a ponto de conviver em sociedade e serem aclamados. Por conseguinte, alguns procedimentos causam sequelas e outros podem até levar a morte, como aconteceu com a influenciadora digital Liliane Amorim em consequência de uma infecção ocasionada por uma perfuração no intestino após se submeter a uma lipoaspiração. Deste modo, o culto ao corpo está deixando muitos doentes.

Por fim, todos possuem a liberdade de fazerem os procedimentos estéticos despinceis no mercado, entretanto, devem ter noção das consequências e considerarem se estão fazendo por que querem ou para entrarem num perfil imposto socialmente. Desta forma, cabe ao Ministério da Saúde, a criação de um canal de comunicação, com psicólogas, unionistas e terapeutas, as quais ofertarão palestras, conversas e atendimentos gratuitos explicando sobre a importância da aceitação e a forma agressiva que as cirurgias plásticas atingem cada um. Deste modo, muitos entenderão que são saudáveis da forma que estão e não precisam passarem por processos agressivos na busca da perfeição.