Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 25/09/2019
A imposição de limites no universo artístico, há tempos, desperta entre artistas e a sociedade grandes discussões. Se, de um lado, parte dos profissionais, utilizando-se da liberdade de expressão, buscam maneiras de impactar a sociedade, despertando-a para novos ideais; de outro, grupos conservadores se apoiam em princípios sociais, morais e religiosos para impor barreiras as tais exposições.
Inicialmente, vale destacar que conforme a Constituição Federal, o Brasil constitui-se num Estado de direito em que a liberdade de expressão e de pensamento são a todos garantidos. Valendo-se disso, profissionais ligados às artes julgam que em seus trabalhos não deve haver limites, haja vista serem manifestações pessoais com o objetivo de direcionar a atenção da sociedade para algo. Nesse sentido, qualquer limite é considerado censura e, assim sendo, deve ser combatido.
De encontro a esse argumento encontra-se a parcela conservadora da sociedade que, amparada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, julgam ser necessário criar restrições às exposições artísticas. Não seria lícito, por exemplo, expor crianças a obras e performances que contenham nudismo ou pedofilia. Além disso, esses indivíduos não toleram afrontas a valores religiosos, morais e criticam quaisquer trabalhos que vão contra os costumes tradicionais da sociedade.
Nesse contexto, é fundamental criar uma solução que atenda a ambos os lados. Para tanto, faz-se necessário que o governo, por meio do Ministério da Cultura, melhore a classificação etária, limitando o público por meio de seu conteúdo e que realize uma fiscalização eficaz nessas exposições. Ademais, as escolas e as Universidades devem realizar debates de forma frequente, visando a sensibilizar crianças e adolescentes de que não é possível limitar a criação artística a seus valores pessoais, porém, é imprescindível que se adeque a idade do público ao conteúdo artístico. Afinal, como já dizia o educador Paulo Freire, é preciso educar as crianças para que não seja necessário corrigir os adultos.